Domingo, 29 de Agosto de 2004

Hoje vou para a natureza flutuante

Hoje parto para os Açores. Durante uma semana vou tentar abstrair-me de tudo, vou tentar deixar a minha mente fugir. Volto dentro de dias, sete, que serão uma procura de um eu que tenho vindo a perder. Vou descansar e tentar reconciliar-me com a terra e comigo mesmo. Vou de férias.
Vou, mas volto.

Sábado, 28 de Agosto de 2004

Diz-se XIII

De vez em quando os homens tropeçam na verdade mas a maioria deles
levanta-se rapidamente e continua o seu caminho como se nada tivesse
acontecido.
-Winston Churchill in War Speeches
Isto traz-me à memoria o discurso do «entendi a mensagem dos portugueses, é preciso trabalhar mais...» de Durão Barroso, logo seguido de um levantar com fuga em frente, em direcção a Bruxelas.

Sono...

Esta noite, as minhas ideias estão com sono,
Vou descansá-las, vou tentar aliviá-las para fora de mim.
Vou dormir um sono sem ideias, só sonhos.

Cybriedade

Estou aqui há horas a tentar escrever. Escrevo e apago e volto a escrever. Nada de jeito sai.
Já não sei se estou sóbrio, ébrio ou Cybrio por estar a trabalhar num mundo virtual de falta de ideias Cibernéticas.

Sexta-feira, 27 de Agosto de 2004

Pensamento Nocturno

Algumas coisas dizem-se melhor com a luz apagada.

Há albums perfeitos I

Portishead Numb2.jpg

Poucas são as obras musicais que conseguem captar a minha atenção do princípio ao fim. Menos são as que conseguem repetir esse efeito, mantendo uma coerência esteticamente superior, que me faz ficar indeciso na hora de escolher uma delas como favorita.
Este album, o Dummy dos Portishead é um desses. Já me acompanha há cerca de 10 anos, e não me consigo cansar de o ouvir. Fico de facto «numb» quando o ouço.

Quinta-feira, 26 de Agosto de 2004

Ela foi-se...

Estava attrasado para o emprego, como sempre, e como sempre depois de um duche apressado e uma secadela ainda mais veloz, estiquei a mão para dentro do guarda-fatos ao calhas e encontrei o Passado. Estava à procura do meu casaco e saiu-me um vestido. Parei e segurei-o, o tecido era suave e escorria-me por entre os dedos, seda, pensei.
Enterrei a minha cara nas suas dobras, o meu nariz procurava, pesquisava e prescrutava cada centímetro à procura de um pequeno vestígio do seu perfume. Nada, o vestido estava vazio de cheiros seus. Voltei a colocar o vestido no cabide de metal e coloquei um plástico de lavandaria a cobri-lo, para preservar a sua aparência.
Pensava que ela tinha levado tudo com ela quando se foi há un meses, mas afinal não, o vestido azul ainda ali estava, onde jaz agora no fundo do meu guarda-fatos à espera de outra oportunidade para me relembrar que fez um dia parte da minha vida.

A Sociedade do Pagador-Utilizador

Cada vez mais assistimos, neste semi-país, a um florescer de bens ou serviços pagos, muitos dos quais antes eram gratuitos. Temos televisão «pay-per-view», sites «pay-per-view», livros online «pay«-per-read», músicas «pay per-listen», ou seja estamos a substituir o nosso mundo, por um onde o acesso à informação irá depender da capacidade de pagamento das pessoas, o que afasta muita gente dessa informação, ou pior, um mundo onde o pagamento só nos permite uma licença para ver, ler ou ouvir algo, e não realmente possuí-lo.
Acho que estamos a caminhar para uma Sociedade «pay- per-use».

Quarta-feira, 25 de Agosto de 2004

Terapia Digital

Antes de ir dormir, cheguei a esta conclusão:
«Quem é que precisa de um psiquiatra quando se tem um blog?»

Terça-feira, 24 de Agosto de 2004

Diz-se XII

Em poucos minutos um computador pode cometer um erro de
tal maneira grande, que levaria muitos homens durante muitos
meses a fazer um igual.
-(Anónimo)
Excepto se esses homens fossem o Casal Santana/Portas e os seus sequazes governamentais.

A Guerra à verdade...

Como é que se empreende uma Guerra ao terrorismo? Todas as guerras são terrorismo. Todo o terrorismo é guerra. A guerra convencional não é mais que terrorismo aprovado por um estado e tudo o resto, não é mais que terrorismo ilegal.
O terrorismo é uma justificação para a guerra convencional.Mas nós não estamos a empreender neste momento uma guerra a nenhuma entidade chamada «terrorismo», Isso não pode ser feito. Está-se a empreender uma guerra convencional contra pessoas. E só algumas dessas pessoas é que serão terroristas, o resto são inocentes, civis, crianças, mulheres, anciãos, etc, a que nós tão cinicamente chamamos «danos colaterais». E as pessoas a quem chamamos «terroristas» são de facto guerrilheiros.
Isto demonstra-nos o tipo de armadilha, em que estes aliados estão a cair desde que embarcaram na estupidez desta guerra. Está-se a tentar empreender uma guerra convencional contra guerrilhas. Esse conceito falhou para os americanos no Vietname; Falhou para os Russos no Afeganistão; Actualmente falha para os Russos na Techechénia; Não corre muito bem para os Americanos no Afeganistão; e está a falhar no Iraque; e falha para os israelitas na Palestina.
Não funciona, simplesmente não funciona porque cria mais guerrilhas do que mata. É um conceito que funciona ao revés a menos que os povos mais poderosos estejam dispostos a cometer genocídio. Será que se irá tentar pura e simplesmente eliminar populações, raças ou religiões inteiras de onde as guerrilhas emergem?. Isso seria não só o caminho para um holocausto, mas para uma série de holocaustos. Lembram-se do famoso slogan «Nunca Mais»? sabem o que lhe aconteceu?. Simplesmente os senhores da guerra voltaram ao poder. Por isso, como é que minimizamos o «terrorismo»? Bem, eu acho que se começa por dizer a verdade, em vez de tecer uma teia de mentiras e intrigas para esconder a cumplicidade na sua opressão, exploração, roubo e maus tratos.
A verdade é que estes povos estão a ver a sua soberania religiosa, física, e ideológica seriamente limitada e oprimida. Averdade é que elestêm razões para se queixar. A verdade é que nós não queremos lidar com essas razões, por mais válidas que sejam. A verdade é que não queremos lidar com essas razões porque «não são do nosso interesse». A verdade é que a sociedade ocidental se tornou corrupta e não se importa com os outros. A verdade é que« não é do nosso interesse» reconhecermos que somos corruptos. E com isso criamos mais «terroristas».
A verdade é que esta «Guerra ao Terror» é de facto uma Guerra à verdade.
A verdade é que se se quisesse empreender uma guerra à guerra, estaríamos a empreender a paz.

Segunda-feira, 23 de Agosto de 2004

Quem quer ser um patriota?

Disseram-me que todo o bom português deve ser um bom patriota. Como se fosse algo nobre de se ser. Ok, pode ser, mas primeiro vamos entrar na definição de Patriota:

Patriota – Aquele que defende ou zela pela prosperidade, liberdade e direitos do seu país;

Esta definição é muito bonita, mas traz muitos problemas, como posso eu ser um patriota e um cidadão europeu por outro lado e um cidadão do mundo por outro ainda?
Poderei alguma vez zelar pela prosperidade do meu país, se isso significar se cúmplice na invasão, assassínio, exploração, escravidão de outros povos para conseguir atingir esse objectivo? Não, não posso. Parece que falhei na primeira pergunta do teste de patriotismo.
Acharei eu alguma vez que valerá a pena lutar pela liberdade do meu país, se isso significar privar outros povos da liberdade deles? Não, não posso. Parece que também chumbei nesta segunda pergunta.
Serei eu alguma vez zeloso dos direitos do meu país enquanto o meu país ultrapassa, pisa, ignora e aniquila os direitos de pessoas de outros países? Não, não serei. Parece que definitivamente chumbei no teste de patriotismo.
Parece que sou um falhanço no que diz respeito ao patriotismo. Mas Esperem!! Outras questões surgem na minha mente:
Seria eu capaz de lutar até à morte se atacassem o meu país e escravizassem, abusassem e ultrajassem o meu povo? É bastante possível – Primeira nota positiva
Seria eu capaz de lutar se outro país oprimisse a liberdade do meu? – Certamente que sim. - segunda resposta correcta
Seria eu capaz de lutar pela sua prosperidade se ela fosse ameaçada? Claro que sim! – BINGO – acho que afinal até sou um patriota.
Mas, se defendermo-nos de ataques de outros mais fortes, mais ricos e mais dominantes é ser patriota, porque é que quando se trata de muçulmanos os apelidamos de rebeldes, terroristas entre outros epítetos mais obscenos. Será porque achamos sermos donos da razão? Será por serem diferentes e por isso nós numa atitude paternalista acharmo-nos no direito de decidir por eles? Será que eles de facto não serão os verdadeiros patriotas?
Ficam as perguntas no ar
Fica a morte onde a fazemos
E fica a vingança por cobrar...

Diz-se XI

"O único sitio onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário."
Albert Einstein
E em Portugal, no governo também não é de todo mentira

Domingo, 22 de Agosto de 2004

Ajudaaaa...

Ao ler outros blogues (um erro crasso por vezes) chego à conclusão de que sou basicamente um inútil escritor bloguístico (ao dizer isto, claro que estou à pesca de elogios) quando tento alinhar as palavras de forma a conseguir delinear uma ideia dentro do intenso nevoeiro que por vezes se faz sentir na minha mente.
Isto de escrever não é fácil, sobretudo nestes momentos em que preciso de ideias.
Alguém tem alguma ideia ou um conselho para ultrapassar este bloqueio?

Uma Morte Insignificante

Nunca soube o seu nome, mas toda a gente lá no bairro lhe chamava a Maria dos Azares, por isso também eu a me referia a ela com esse nome quando falava com alguém. Creio que esse epíteto se devia ao seu cheiro e ao andar sempre rodeada de gatos, estranhamente, quase todos pretos.
Era uma figura incomum, vivia por debaixo de umas arcadas junto às traseiras de uma loja de electrodomésticos e de um supermercado. A proximidade com os caixotes do lixo tornavam mais próxima e fácil a procura de restos, e o vento quente expelido pelo sistema de ar condicionado do supermercado, ajudavam a aquecê-la no inverno.
Também era combativa, lutava, barafustava e esbracejava para afugentar quem quer que tentasse aproximar-se do seu canto. Os seus dias eram sempre iguais, acordava tarde, perto da hora do almoço e emborcava de imediato os restos de uma qualquer garrafa de alcool que tivesse junto a si. Depois levantava-se, praguejando em surdina e ia para um local não muito afastado pedir esmola, insultando quem não lhe retribuia. Com o dinheiro resultante do peditório comprava pacotes de vinho que bebia em dois ou três instantes.

Pouco mais sabia da sua vida, só sabia que sempre estivera ali. Desde que me lembro de ser gente que ela ali estivera, com o seu insulto grunhido, o fedor característico e os gatos, muitos.
Das traseiras da minha casa podia-se avistar de longe o local onde dormia, mas eu raramente o fazia, não era propriamente uma vista que eu prezasse ou apreciasse.

Porém, na noite passada, o ir e vir de uma luz azul e um ruído maior que o normal acordaram-me e fizeram-me dirigir à janela para ver o que se passava. No local onde a Maria dormia, estava uma ambulância, um carro de polícia e muita gente. Fiquei curioso e desci para saber o que se passava.
- O que é que aconteceu – Perguntei a um dos polícias de serviço.
- Foi uma vagabunda, que morreu, mas os gatos não nos deixavam aproximar dela, eriçavam-se todos, e o cheiro...., parecia já estar morta há pelo menos umas 10 horas. – Respondeu-me – Também tivémos que mandar chamar a Câmara para virem buscar os bichos...
Agradeci a informação e dirigi-me à ambulância da Medicina Legal e vi o seu corpo carregado por três homens a ser colocado dentro do veículo. Quando a porta se fechou dirigi-me a casa e fechei-me no quarto, com o pensamento «que morte tão insignificante para a nossa sociedade, mas que perda tão importante para aqueles bichos...».
No dia seguinte o tema no bairro era sempre o mesmo onde quer que fosse, a morte da Maria dos Azares. Alguns com pena, outros aliviados, pela imagem que dava ao bairro, mas ninguém indiferente. Eu senti-me sobretudo triste, por nunca ter sabido quem ela era. E este pensamento levou-me a pensar que afinal a sua morte não foi insignificante. Na morte, a Maria conseguiu que meio mundo se lembrasse dela.

Sábado, 21 de Agosto de 2004

Diz-se X

«Deverás ser a mudança que queres ver no mundo»
-Mohandas Gandhi
Alguém disse que, se apontarmos um dedo acusador a outra pessoa, muitos outros dedos apontarão de volta para nós.
Quando as coisas não correm da maneira que achamos que deveriam, é muito fácil jogar ao Jogo da Culpa. Pensamos que se culparmos os outros ficaremos bem, ficaremos pelo menos melhor do que a pessoa que acusamos. Os políticos fazem isso a toda a hora.
Por outro lado, Quando somos nós que estamos a ser acusados, sentimo-nos humilhados, especialmente se isso acontecer na presença de outras pessoas.
No fundo, o jogo da culpa, não é mais que o jogo do ego. Este jogo parte do pressuposto de que somos melhores que os outros, e por isso «inculpáveis». Ser-se culpado, por outro lado, significa sermos inadequados, torpes e propensos ao erro.
Por outras palavras, somos Humanos. Com tudo o que isso tem de errado ou positivo.
Criticamos, insultamos e resmungamos, faz parte de nós próprios sermos assim. Mas isto não significa sermos mais ou menos que qualquer pessoa. E, devemos lutar por ser «inculpáveis». Como podemos fazer isto? Simplesmente parando de jogar este jogo nós próprios.
Em vez disso, devemos lutar por nos construirmos a nós próprios. Se estivermos sempre à procura de algum culpado pelas misérias que vivemos, não conseguiremos escapar dessas mesmas misérias. Tal como o ódio atrai o ódio, o a motivação atrai mais motivação, quando estendemos uma mão a alguém nos estenderá a mão também.
Não se trata de fugir a ser acusado, trata-se de mudar para melhor, e o ponto de comparação somos nós próprios. Devemos lutar para ser melhores que nós mesmos e sermos capazes de nos perdoarmos por erros passados. Devemos acreditar em nós mesmos para acreditarmos nos outros.
Acreditar e não culpar ou acusar. De facto somos humanos, mas nada nos impede de tentarmos ser humanamente divinos.
Era tão bom que conseguissemos ser assim, era tão bom que Eu conseguisse ser assim....

Tradição Inventada VI

Perto de Salzburgo, no cimo de uma montanha, existe uma gruta, que devido às baixas temperaturas do inverno, cria centenas de estalactites de gelo. Durante a primavera, a dia 30 de março, as populações de terras vizinhas, deslocam-se ao local para assistir a um fenómeno raro mas belo. Com o degelo, as estalactites caem no lago subterrâneo criando uma música em vários tons, dependendo do tamanho do bloco. A música é sempre a mesma todos os anos. Segundo dizem os aldeãos, e segundo reza a tradição, foi aqui que Mozart encontrou as frases rítmicas para muitas das suas obras.

Sexta-feira, 20 de Agosto de 2004

O Velho na montra

A montra estava completamente vestida de sapatos. Pendiam da janela, das prateleiras de madeira velha e enchiam de ambos os lados a entrada da loja, quase impedindo a entrada de clientes. Imediatamente por trás da montra, um velho estava sentado. O seu nariz redondo e abatatado quase tocava no vidro. Por detrás do vidro, quase opaco com a sujidade ele observava. Observava a rua que por acaso eu descia.
Dirigia-me para um encontro com uma pessoa amiga, e estava feliz por isso. Tinha comprado o jornal, e lia enquanto descia a rua. Uma sucessão de eventos trágicos mas desinteressantes desenrrolava-se nas suas folhas, por isso facilmente desviei a minha atenção. A estranha fachada de sapatos daquela montra puxava o meu olhar. Quando dei por mim, estava parado, junto a essa montra, a escassos passos da vincada cara do velho por detrás do vidro. Piscou ambos os olhos, e o seu olhar curioso numa cara inexpressivamente triste confundiu-me, enervando-me. Imediatamente desviei o meu olhar, observando os sapatos e a desordenada forma como estavam amontoados.
Eram de vários estilos e condições, uns novos, outros velhos, a maior parte parecia ter já sido usada. Estranhamente, nenhum tinha preço afixado, não pareciam estar para venda. O meu pensamento foi interrompido por um tossir grave que fez desviar o meu olhar na sua direcção. Fixou-me intensamente, sem demonstrar ira, nem nenhuma outra emoção, só uma calma curiosidade.
Voltei o meu olhar para os sapatos, apesar da minha atenção estar concentrada na estranha criatura por detrás da sujidade do vidro. Apesar do desconforto que sentia, entrei na loja, cumprimentei-o, recebendo em troca uma espécie de grunhido do qual só percebi a palavra «...dia». Inclinei-me para agarrar um dos sapatos numa das prateleiras mais baixas e, o seu olhar seguia os meus movimentos. Este exemplar estava gasto, faltava-lhe metade de um atacador e uma meia-sola. Perguntei-me a mim mesmo, quem alguma vez compraria algo semelhante, talvez ninguém, talvez o tivesse usado o próprio velho. Abanou a cabeça, como que a dizer que aquele modelo não me servia, e eu devolvi-o à prateleira, como que a tentar não incomodar. O seu olhar continuava a seguir-me como que a analizar o absurdo que eu iria tentar na próxima escolha. Sentia-me curioso, mas incomodado. Saí, e enquanto saía, o seu olhar uma vez mais prescrutou o meu, quase me congelando. Lembrei-me do encontro marcado para o qual estava quase a ficar atrasado, mas ainda olhei para trás, para ver tão estranha figura uma vez mais. A minha surpresa foi total, ao observar que o velho sorria e que me fazia continência. Não percebi o porquê deste gesto, nunca fui militar, mas também sorri, sorri por dentro e senti-me inexplicável e estranhamente bem.


Diz-se IX

«Quem Cala Consente.»
- Provérbio Popular
Pois eu não me calo, nem consinto que brinquem com o meu país, por isso uso este blog como forma pública de divulgação de algumas atrocidades que se cometem. Não vou aqui falar da nomeação da filha da Dadinha para assessora de imagem do PSL. Desta vez quero divulgar algo que me toca especialmente:
Saiu no Sábado, na revista Única do Expresso, um artigo de Luísa Schmidt a alertar para a degradação do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina.
Em resumo fala-se de áreas que se pretendem desanexar da reserva natural (para promoção, construção imobiliária e turismo), da inexistência de políticas destinadas às populações residentes em zonas protegidas e da incúria do Estado.
Por tudo isto corre na Net uma petição ao ministro do Ambiente para recordar o Estado dos direitos dos cidadãos.
http://www.petitiononline.com/sudoeste/petition.html
Não custa nada, vão lá e assinem esta petição, ponham estes gajos a fazer algo pelo país, pelo menos uma vez.

Má Noite

Cheguei ao Rossio e lá estava ele, alto, marcado pelos anos e com um chapéu grande, pesado de velho. O chapéu, roto de tanto uso cobria-lhe grande parte da cara. Por debaixo do chapéu, esperava… prescrutava silenciosamente, de cima a baixo, todos os passageiros que podia. Por um momento perdi o contacto com ele, uma trintona produzida obrigara-me a desviar o olhar para o seu decote. Será que ele a viu também? Não cheguei a perceber, o meu comboio chegou antes que me conseguisse aperceber e por isso parti.
Aquela figura estranha marcou-me, e fui o resto do caminho a pensar nele.
Uma semana depois, no mercado de Sintra, vi-o outra vez, sisudo e parado, com o chapéu velho a cobrir-lhe a cara e uma vez mais uma mulher estranhamente bela a passar fez com que perdesse o seu contacto visual. Não mais o vi nesse dia, mas desta vez no caminho para casa. Ruminei mais e mais no assunto. Quem seria o indivíduo?, parecia-me familiar, porém podia jurar que nunca o tinha visto antes.

Nessa noite, um bater na porta da rua soou, eram já duas da manhã. Era um bater profundo e persistente. Cambaleei no meu sono, tentando navegar às escuras pela mobília sem a partir. Ao abrir a porta deparei-me com um homem, alto, na casa dos sessenta e com um aspecto perfeitamente normal e estranhamente familiar.Numa mão segurava o chapéu roto, a outra estava levantada como para me cumprimentar. Ao ver que não lhe correspondia, juntou-a à outra, no chapéu, começando a rodopiá-lo lentamente.

- Desculpe lá, você sabe que horas são?, já viu o tarde que é? –Perguntei
- Não peço desculpa pela hora, peço no entanto desculpa pelo que me traz aqui. – retorquiu.

E colocou a mão direita firmemente no meu peito, empurrando-me pelo corredor à sua frente. O seu olhar calmo impediu-me de esboçar qualquer reacção a esta afronta. Atirou o seu chapéu para o cadeirão e começou a pesquisar os meus pertences. Lentamente e com todo o cuidado, pesquisava atentamente coisas comuns e depois repunha-as com todo o cuidado, sem que eu dissesse nada. De cada vez que a minha garganta tentava emitir um som, ele olhava para mim e eu perdia completamente as palavras que me permitiam confrontar este estranho.
Deteve-se numa foto antiga, do dia em que eu nasci, nela estou eu, nu e choroso, e os meus pais junto a mim. O meu pai estava estranhamente sério na foto. Parecia alguém grave e de poucos amigos. Felizmente não me lembro dele.
Com a foto nas mãos, deu uns passos breves pelo corredor e sacou de um lápis de um dos seus bolsos, começando a escrever na foto. Assim que o fez, apanhou o seu chapéu e partiu, fechando a porta atrás de si, sem ruído.
Enquanto se ia, permaneci sentado, sem um esgar. Adormeci no sofá.
Deviam ser umas 10 da manhã quando o telefone soou e ouvi a minha chefe a perguntar-me porque não tinha ido trabalhar. Só aí me dera conta que tinha adormecido no sofá da sala. Pedi desculpa, disse estar com dor de cabeça e felizmente consegui ficar com mais um tempo de manobra que aproveitei para me lavar e tomar o pequeno-almoço. Enquanto comia, lembrei-me da noite anterior e, corri para ver o que tinha o estranho escrito na foto. Com a pressa tropecei num tapete, e caí com estrondo no chão do corredor, sobre o braço direito. A dor era lancinante, mas mesmo assim consegui arrasytar-me até à malfadada foto na mesinha da sala, e foi então que li o que o estranho escrevera.
Ao lado da cabeça do meu pai, as seguintes palavras diziam «Este sou eu...».

Quinta-feira, 19 de Agosto de 2004

Diz-se VIII

A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás; mas só pode ser vivida olhando-se para a frente.
- Soren Kierkegaard
Pois é, mas passa-se a vida a criticar os outros e o passado, em vez de se implementarem reformas estruturantes para o futuro. A política, assim como a vida portuguesa continua a ser um constante olhar para trás, em vez duma concentração decidida no futuro. Vivam os descobrimentos!..., mas os de novas tecnologias e novos conceitos e de uma sociedade mais justa.

Diz-se VII

A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela.
- Max Frisch´
Mas porque é que os políticos não dizem a verdade de uma vez por todas, de qualquer maneira, ninguém acredita neles.

A Princesa Americana

Gracekellycrop1.jpg

Um destes dias, no meio de um zapping, parei num filme que passava, onde a principal actriz era Grace Kelly. E fiquei ali, embasbacado a olhar para ela. Não me tinha até então apercebido do quanto era bonita e perfeita. Para melhorar a imagem, desliguei o som, já que se tratava de uma versão dobrada em alemão, num daqueles canais que ninguém vê. Bem sei que a técnica de iluminação, a posição da câmara e a experiência do realizador têm uma palavra a dizer no resultado da imagem, mas isso são factores secundários quando se trata desta mulher, princesa por casamento e beleza por direito próprio.
É tão fácil tornar um blog bonito, com imagens assim...

Costa Rica 4 – Fedelhos 2

Já tinha escrito aqui um post sobre a Selecção Portuguesa de primadonas nos Jogos Olímpicos, mas o jogo de ontem veio acicatar ainda mais a vergonha que me dá a idolatrização que se faz destes imberbes que não merecem o salário que ganham. Segundo o espírito das olimpíadas, o desportivismo deveria ser uma constante, mas com estes fedelhos não, isso é impossível. Quando estão a perder tornam-se violentos, birrentos e chorões.
Mas a culpa não é só deles, é sobretudo de toda a cultura futebolística portuguesa. Em Portugal defende-se os birrentos, mesmo quando não valem nada em campo, veja-se o caso do João Pinto na Coreia que me envergonhou como português, mas que parece não ter incomodado o povo português que o recebeu de braços abertos de volta. Amanhã, se estes putos ganharem um amigável contra o Kirziguistão, fica tudo bem, ficam todos contentes e, a imagem de Portugal que está seriamente ferida pela actuação de ontem, já não lhes interessa.
A Costa Rica venceu com aquilo que faltou aos portugueses: Garra, Futebol e Desportivismo.
Portugal perdeu com aquilo que lhe é característico: Birra, Falta de inteligência, Umbiguismo.
Tivémos o privilégio de termos a selecção que ganhará a medalha de ouro por mau comportamento e espírito anti-olímpico.

Quarta-feira, 18 de Agosto de 2004

Diz-se VI

«Os pequenos actos que se executam são melhores que todos aqueles grandes que se planeiam.»
- George C. Marshall
Uma grande verdade, infelizmente não aplicada na política portuguesa, prefere-se planear, criar comissões de inquérito, discussões, em vez de agir.

Diz-se V

Muitas vezes o que se cala faz maior impacto do que o que se diz.
- Píndaro
Creio que PSL não sabe desta ainda.

Diz-se IV

«É impossível para um homem aprender aquilo que ele acha que já sabe.»
Isto é tão verdade.....
Em PSL temos um experto em nada que se crê sábio em tudo, e sobretudo na arte da modéstia.

As EXs

Num destes dias chuvosos de Agosto, cheguei a uma preocupante conclusão: Acho que ainda amo a minha EX, e pensando bem de facto amo todas as minhas EXs.
Como é que cheguei a esta conclusão? Porque cada vez que vejo uma mulher bonita, vejo nela uma característica de uma dessas mulheres com quem partilhei a minha vida, e penso muito nisso.
Será que isto é mau?, provavelmente sim, pois para mim todas eram bonitas, muito bonitas na minha opinião.
Eu amo a minha mulher, e acho que para sempre o farei, mas se um dia nos separarmos, será que começarei também a ver noutras, as suas qualidades?
Dizem que por vezes só amamos o que não temos, e se calhar é verdade. Talvez seja o sentimento da perda. Talvez seja eu que sou muito possessivo. Sinceramente não sei. Mas pergunto-me, amando a minha mulher como amo, será que a amaria mais se não a tivesse?

Diz-se III

«O maior enganado é aquele que se engana a si próprio.»
- Ralph Waldo Emerson
Ou será o que engana os outros enganando-se também a si próprio?
PSL conseguiu enganar Sampaio e uma grande parte do Portugal leitor assíduo de revistas cor-de-rosa, como a visão, caras, tv7dias, Expresso, etc.

Terça-feira, 17 de Agosto de 2004

Desabafo

Sou leitor mais ou menos assíduo de alguns blogues portugueses e estrangeiros, e cada vez mais tenho assistido a um despejar de opiniões que cada vez mais me parecem vácuas, sobretudo de blogues direitistas. O Seu radicalismo político no abraço a alguns temas, nomeadamente no apoio aos republicanos americanos e seu presidente, para mim só me cheira a uma coisa: Despeito.
Como Bush é de direita, eles vêm-se obrigados, quais carneiros, a seguir o seu pastor, por muito bêbado de ideias que ele esteja. A sua capacidade de pensar por si próprios parece-me nula. Bebem FOX, debitam Expresso, vomitam SIC e DN. E vêem-se encurralados nos seus donos, nos donos da sua ideologia. Apesar de não gostarem do homem, e de acharem que é uma besta, não o criticam publicamente, porque não querem demonstrar que estavam enganados quando o apoiaram, ou seja despeito. Por isso vertem «lágrimas de jacaré» quando a estátua do Saddam cai, e chamam danos colaterais aos mais de 13.000 mortos resultantes do conflito,despeito. Fingem não sentir nenhum incómodo em ver o mundo dividido por causa de um energúmeno, embarcando também na bacôca ideia de que quem não está com Bush está com os terroristas. Resumindo: despeito.

A estratégia da Direita, e de muitos dos seus blogs, neste momento é apelidar os seus oponentes com adjectivos e impropérios que lhe são cada vez mais próprios. Adjectivos como demagógica, malcriada, populista, interesseira, corrupta, cada vez mais se adaptam aos seguidores de líderes como Bush, Portas ou Santana Lopes. E facilmente vão buscar argumentos como Estaline e o bloco de leste para criticar a esquerda, tal como seria fácil ir buscar Hitler, Bush e Israel nos dias de hoje.
Mas o que mais confusão me faz, é saber que sendo a direita identificada com o nacionalismo, porque é que não faz nada visivelmente nacionalista?, a nossa Direita é a primeira em vergar-se aos interesses estrangeiros, sobretudo os económicos e militares, em vender Portugal ao desbarato e em não lutar pela sua nação. O nacionalismo não é a limitação de entrada de estrangeiros, é amar Portugal, é amar a sua cultura e lutar pela sua divulgação, é apostar no país Todo, e não só onde estão concentrados os eleitores. O Nacionalismo não é pendurar bandeiras quando se juga futebol e se ganha, mas apostar nos seus jovens e no seu futuro para de uma vez por todas ultrapassarmos o gap que nos separa do resto da UE, seja em termos de tecnologia seja em desporto, cultura, saúde ou mesmo sociedade. Isto é nacionalismo, o resto é pura xenofobia e preconceito camuflados.
Não sendo uma pessoa de direita, considerando-me um social democrata, na verdadeira acepção do conceito, e não na do actual PSD e menos da extrema direita do PP, e também não tendo nada que ver com o PS actual e o guterrista, tenho pena que Portugal não tenha um futuro minimamente brilhante pela frente, sobretudo com quem tem a guiá-lo.
Este Portugal actual envergonha-me, assim como me envergonha o insulto fácil em que se cai em alguns blogues portugueses. E, se acharem que isto é um insulto, pois que aos vossos olhos seja, porque aos meus é só um desabafo....


Diz-se II

«A chave do sucesso é a sinceridade. Se aprendeste a fingir que és sincero, tens o sucesso assegurado»
- Jean Giraudoux
Creio que com a pose de estado que nestas ultimas semanas lhe tem sido característica, PSL finalmente aprendeu, até chegou a primeiro-ministro.

Diz-se I

«Os meios de desenvolver a inteligência aumentaram o número de imbecis.»
- Francis Picabia
Sobretudo daqueles que crendo ter achado a fórmula correcta se acham omnisapientes e acima dos outros, mas que frequentemente só proferem vacuidades. Porém, com sorte chegam a primeiros-ministros.

Diz que disse

Hoje, inicia-se uma nova secção neste blog, a secção dos dizeres famosos. Muito iluminadamente decidi chamar-le DIZ-SE. E logo se vê o que é que dá...

Segunda-feira, 16 de Agosto de 2004

Saberia?

Hoje uma ex-colega soube que a sua mãe tinha Esclerose Múltipla. O seu choro era inconsolável, enquanto me contava a sua epopeia destes últimos 20 dias em médicos, clínicas, hospitais etc.
Na semana passada fizera uma ressonância magnética para complementar os diagnósticos já efectuados e hoje, finalmente recebeu a pior notícia que poderia ter: Esclerose Múltipla, e do pior tipo possível.
Após o possível conforto que lhe dei, ao escutá-la e acalmá-la fiquei a pensar muito no que irá ser a vida desta minha amiga, filha única e único amparo possível, para uma mãe abalada emocional e fisicamente.
Perguntei-me a mim mesmo:
Saberia eu viver com este fardo?
Saberia eu arranjar forças para ultrapassar estas dificuldades?
Saberia eu conseguir viver se se tratasse da minha mãe?
Saberei eu algum dia o que é este sofrimento imenso?

Conversas na Marteleira

Ali para os lados da Lourinhã, fica a Marteleira. Aldeia não muito pequena, nem muito característica, tipicamente uma aldeia saloia do Oeste.
Nesta aldeia reuniu-se neste passado Sábado um reduzido grupo de amigos e família para celebrar os anos do Nuno, que lá tem uma casa de férias. Passámos a tarde enfiados na piscina e enchêmo-nos de pão saloio com manteiga, queijo ou presunto, consoante a preferência.
O dia era de Agosto e apesar de algumas núvens, a temperatura estava amena e a leve brisa que corria, ajudava a suportar algum do calor que se fazia.
Ao cair da noite jantámos, cantámos os parabéns ao aniversariante e, falámos. Discutimos os mais variados assuntos, desde cinema a política, religião e história. Tudo começou com o Cinema, com «A Paixão de Cristo», o que nos levou a uma conversa de horas sobre religião católica, sua história e os seus problemas. Passámos por outras religiões e pelo tema de se Portugal não fosse católico-apostólico-romano, não teria um povo mais rico, feliz e menos preconceituoso. Daqui, passámos facilmente para a política, e para a actual situação do país, com comentários aos últimos 5 anos. Gostei muito desta noite, gostei muito destas conversas e, espero que se repitam por muitos anos. Espero que o Nuno faça anos muitas vezes (de preferência com pão saloio à mistura). Espero conseguir ter muitas conversas destas, com temas destes, porque normalmente as conversas em que participo, com ou sem religião, política ou outra coisa acabam sempre nos mesmos temas, que também gosto: Mulheres, Carros e Futebol.....

Domingo, 15 de Agosto de 2004

Ciência VIII

«A cada acção está directamente relaccionada uma reacção.»
Será que é verdade?
A subida de Santana ao poder foi uma acção, mas onde é que está a reacção? É certo que algumas pessoas há que não se conformam com este governo não eleito e o dizem publicamente, mas onde está o principal visado pelas medidas que irão ser tomadas? Onde está o chamado Povo?
Além de alguns bitates aqui e ali, não vejo ninguém realmente interessado em fazer coisa nenhuma para mudar as coisas. O nosso povo está cada vez mais como o casal Santana/Portas gosta, amorfo e moldável.

Tradição Inventada V

Numa aldeia alentejana, entre o norte e o centro desta região, há muitos muitos anos chegou um mercador de Lisboa, com mercadorias exóticas, entre as quais, a que mais causou sensação foi a de um casal de pássaros brancos que tinha como ritual de acasalamento o abanar frenético das asas. Porém, a sensação não era o pássaro em si, uma vez que tratava-se de uma espécie de cegonha pequena e toda vermelha, era o abanar das asas que causava sensação. Este pássaro, não maior que um ganso, abanava as asas durante este rito frenéticamente, como um insecto, produzindo uma corrente de vento impressionante. Esta corrente de ar era destinada a derrubar os oponentes nas lutas de acasalamento que duravam de Maio a Setembro.
Porém, embora a cadência fosse forte, nenhum ruido se ouvia a sair daquelas asas.
Dois casais foram comprados por um agricultor rico que estava decidido a fazer criação, e outros dois por um doutor veterinário que os apelidou de «Arejantes».
Durante a maior parte do ano, estes pássaros são como inexistentes, dormindo quase todo o outono e inverno, hibernando. Mas em Fevereiro ou Março acordam e alimentam-se compulsivamente para terem energia para os combates, que começam mal avistam outro macho da mesma espécie.
É frequente hoje em dia ver nas salas das casas desta aldeia, de Maio a Setembro, quando o calor aperta, dois machos engaiolados, dentro de cada sala, a arejarem o local.
Esta é a aldeia mais fresca do Alentejo.
A Aldeia dos arejantes...

Sábado, 14 de Agosto de 2004

CIÊNCIA VII

Como é que nasce um "galo"?
Quando se leva uma pancada na cabeça, alguns dos vasos sanguíneos que irrigam a região rompem-se, deixando vazar o plasma, parte líquida do sangue composta principalmente de água. Como logo abaixo deles está o crânio, esse líquido não tem por onde vazar, e forma uma saliência.
Mas os galos podem ser outros, aqueles que surgem quando nos impõem um governo que não queremos, com governantes incompetentes ou interesseiros, assim também surgem grandes galos.

Tradição inventada IV

Numa aldeia dos Alpes Franceses, há uma árvore velha já seca, mas que o tronco morto possui a forma de um velho nu. Diz-se que o homem que passar uma noite de lua cheia agarrado a uma parte da árvore, conseguirá desenvolver aptidões na sua parte correspondente. É comum, nestas noites, verem-se músicos a tocarem nas mãos da árvore, poetas e cientistas agarrados à cabeça e políticos pendurados na boca.

CIÊNCIA VI

O que é a ilusão de óptica?
Nem sempre nossos olhos retratam fielmente a realidade. Na verdade, é o nosso cérebro que interpreta as coisas de forma um pouco distorcida de vez em quando. Ele também pode completar imagens onde faltam peças e o resultado fica estranho. Isso são as ilusões de óptica. Outra ilusão de óptica é a que surge quando vimos Pedro Santana Lopes com pose de Primeiro Ministro e as pessoas dizem: «Ai que bem que ele está, que bem que fala o sotôr....».

Sexta-feira, 13 de Agosto de 2004

O Paradoxo Americano

Num destes dias de tarde, no programa do Jon Stewart na SIC Radical, o entrevistado era um tal de Greg Easterbrook, autor de um livro que se chamava «O Paradoxo do Progresso». Este livro trata de como os americanos estão mais prósperos que nunca... e mais miseráveis que nunca. Ok, não é bem assim, mas tão miseráveis pelo menos como sempre estiveram, mesmo quando tinham casas mais pequenas, menos que comer, mais doenças mortais ou um ambiente mais inseguro (tal como quando as perspectivas eram mais aterradoras que o terrorismo, no caso da guerra fria, com a ameaça atómica permanentemente sobre as suas cabeças).
Easterbrook refere que o problema é não terem filosofias de vida que os guiem (não necessáriamente a religião). O que eu acho que ele quer dizer é que as pessoas já não se encontram tão ligadas às coisas como antigamente. Religião, nacionalismos, serviço público, voluntariado, familia, comunidades pequenas tentam há tempos tornar as pessoas menos relevantes, menos individuais, mais comunitárias. Porém, o ser humano é cada vez mais individualista e egoista e, numa sociedade egoísta e individualista, tendem a ser eles próprios mais preocupados com o seu bem-estar do que com o bem estar da sua comunidade, tornando-os mais e mais umbiguistas.

Tudo é uma história

Até ter criado este blog, tinha passado por uma fase em que escrever histórias ou contos era um tema a evitar. Não porque não estivesse interessado mas pela falta de tempo e por achar que isto da escrita andava a descambar. Hoje em dia bastava o nome e umas fotos numa revista do coração para se escrever umas letras numas folhas e conseguir ser publicado.
Porém, agora com este blog estou a escrever tudo, sobre tudo. Fui absorvido, e não penso por enquanto em tentar passar estes escritos a livro, porque com o nome que não tenho, o poder negocial também é escasso.
Descobri com isto dos blogues que os contos e as histórias tornam as experiências relevantes para outras pessoas que não as que realmente as vivenciaram ou imaginaram. Quando escrevemos, no momento do relato, podemos viver ou reviver essa experiência vigorosamente. É isso que torna os livros, filmes e blogues de contos tão poderosos... a forma como nos sugam para dentro de uma emoção escrita, e não nos deixam sair, criando em quem lê, a momentânea sensação de viver outra vida e de ter outra personalidade.

Iraque 4 – Portugal 2

Foi uma vergonha,
Uma vergonha não pelo resultado que isto do futebol é sempre um Totoloto em que o resultado é imprevisível, nem pelo facto de ter a seleção portuguesa perdido com uma selecção teoricamente mais fraca. A vergonha surge quando em vez de se terem concentrado em jogar e em dar a volta ao resultado, as primadonnas milionárias que são estas crianças fazem birra e tornam-se mimadamente agressivas.
Os Jogos Olímpicos no seu espírito deveriam ser o máximo em termos de desportivismo e fair-play, não no espírito original grego, mas no de Coubertin. Porém aquilo a que se assistiu ontem fez lembrar uma vez mais o Portugal que temos.
As reacções de Cristiano Ronaldo e Boa-Morte só pecaram por terem levado penas brandas. Ronaldo deveria ter sido expulso. Boa-Morte deveria ter de ficar vários jogos sem jogar. Infelizmente, por piores que sejam as suas atitudes são sempre premiados. Como o Manchester não quer que Ronaldo jogue, dada a proximidade do começo do campeonato inglês, ele torna-se agressivo e displicente, para ver se é expulso ou dispensado, estando-se literalmente nas tintas para o colectivo, para os seus colegas, para o futebol e sobretudo para Portugal. De muito pouco significou o choro na final do Euro, foi só fachada momentânea.
Mas as atitudes de Ronaldo, de Boa-morte e do resto da equipa, não são mais do que o relflexo do futebol português. Por muita merda que façam, os jogadores são sempre apaparicados, nenhum mal lhes acontece. Veja-se a quantidade de primadonnas intocáveis que o nosso futebol tem. A única solução é a penalização real sobre aquilo que eles entendem, o seu salário, os prémios de jogo e a proibição de competir dependendo da gravidade da situação.
Mas isto é utopia, e é a maioria do próprio público português de futebol que alimenta estes abusos, tão habituado a reverenciar de frente, como a criticar por trás. Somos um povo de treinadores de bancada de clubes da 3ª divisão. O que nos interessa é a bandeira na janela.
Por tudo isto, o jogo de ontem teve o resultado que merecemos, independentemente dos resultados que possamos vir a ter nos jogos futuros.

Quando o nosso amigo faz anos!

Hoje o Nuno faz anos. 27 anos, para ser mais preciso.
É bastante mais jovem que eu, é posterior à revolução dos cravos e a muitas coisas que aconteceram na década de 70.
Conhecêmo-nos há cerca de 12 anos quando ele entrou para a escola de onde eu tinha saído para a faculdade, mas que continuei a frequentar por ainda lá ter ficado muita gente amiga, e por ser mesmo ao lado de minha casa.
São 27 anos, que se cumprem numa sexta feira 13, dia de azar para muitos, mas de sorte para o Nuno que sempre gostou deste número. Também gosto do 13, por ser o número dele.
Parabéns amigo, e que a tua vida continue boa por muitos e bons anos,
Por tudo, Parabéns...

Será a solução para o excesso de escolhas ter menos possibilidades de escolha?

Numa das minhas várias deambulações pelas catedrais do consumo, a que vulgarmente chamamos Hiper-super-mega-mercados deparei-me com um problema que foi o da não compra por excesso de escolha. Isto passou-se na secção de cereais. Confrontado com tanta escolha de produtos, dei por mim a dada altura, enjoado e decidido a não levar nenhuma marca. Ainda voltei a trás para tentar contrariar este meu enjoo. Olhei para as prateleiras mais altas, e para as mais baixas, para encontrar aqueles que por vezes são os mais em conta, mas o enjoo aumentou e fui-me embora.
Isto levou-me a pensar no seguinte:
O excesso de escolha, por vezes paraliza o nosso poder de decisão. Faz-me lembrar a parábola do burro com sede, que estando preso a uma árvore e tendo dois baldes de àgua à sua frente acaba por morrer de sede, por não se conseguir decidir por nenhum deles.
A obrigação de termos de decidir leva-nos a uma exigência anormal para o nosso cérebro e, por isso optamos por não escolher, que é a saída mais fácil.
No entanto, sinceramente não acho que o problema esteja no excesso de escolha per se, O problema está no excesso de informação e, normalmente precisamos de ajuda nas escolhas.
Poderão os simplistas retorquir que antigamente é que se estava bem, havia menos confusão e, logo menos escolha. Eu não partilho esta tese, até acho que ter muito por onde escolher até é positivo, só temos é que evitar os hiper mercados...

Ensaio sobre o choro

Chorar,
Para certas pessoas não é fácil. Se não nos concentrarmos nos motivos e nos focarmos na maneira correcta de chorar, entendendo por choro um pranto, mas sem cair no escândalo, nem insultar o riso com uma torpe e paralela semelhança. O choro médio ou ordinário, consiste numa contracção geral do rosto e um som espasmódico, acompanhado de lágrimas e fungadelas, sendo que estas últimas surgem na parte final do evento, uma vez que o choro costuma desaparecer depois de uma boa assoadela enérgica.
Para chorar, deve-se dirigir a nossa imaginação para nós mesmos, e se isto parecer impossível por ser demasiado céptico, devemos tentar pensar em coisas tristes como a humilhação que os nossos pais nos faziam sentir nas reuniões da escola, o nosso futuro, aqueles meninos da Etiópia cheios de moscas, ou um ser querido numa situação difícil, tal como um Golden Retriever bebé a ser devorado por formigas, mas ainda a ganir.
Cegado o choro, deverá tapar-se com decoro o rosto, usando ambas as mãos com as palmas para dentro. As crianças deverão chorar com a manga da camisa contra a face, e de preferência num canto do quarto.
A duração média do choro deverá ser de três minutos, mas esta duração poderá ser extendida, dependendo dos motivos.
Findo o choro, as mazelas deverão ser reparadas com pelo menos 8 horas de sono.

SEXTA FEIRA 13

Hoje é Sexta-Feira 13, faz também exactamente 10 dias que criei este blogue.
Sinto-me bem com ele, ajudou-me a voltar a escrever, mas desta vez a fazê-lo e torná-lo público, sem medos de algum tipo.
Hoje é Sexta-Feira 13, e sinto-me bem...

Quinta-feira, 12 de Agosto de 2004

Tradição inventada III

Numa aldeia de trás os montes, escondida do tempo e das gentes por escarpas de granito e xisto, o povo tem como animais de estimação gansos que utiliza como animais de guarda, mas também como acólitos na missa. Bordaram uns pequenos hábitos, e os animais cumprem a função que deveria ser ocupada pelos jovens da catequese. Nesta aldeia já não há jovens há muito tempo e pouco a pouco, os gansos foram substituindo os filhos que esta gente nunca teve...

O Médico

O intercomunicador vomita o meu nome e uma secretária entradota diz-me para entrar, que o sotôr está à espera. Entro e cumprimento-o. Pergunta-me como me sinto e respondo que bem, obrigado, vinha só mostrar os exames que me tinha pedido para fazer da última vez.
Termina de examinar-me e aos meus exames e tranquiliza-me. A sua voz grave e cordial precede o nome dos medicamentos, cuja receita escreve, sem olhar para mim, inclinado sobre a mesa. De vez em quando, levanta a cabeça e sorri-me, motivador. «Não é nada de grave, dentro de uma semana estará copmpletamente OK!». Afundo-me descansado na cadeira, feliz, e olho distraidamente em redor. Nisto, na penumbra debaixo da mesa, vejo as suas pernas. Subiu as calças um pouco até aos gémeos e então vejo...
Tem vestidos collants de mulher....

Tradição inventada II

Numa região recôndita da alemanha em que o livro é o meio de subsistência, plantam-se livros em branco na primavera. Durante o verão procede-se à rega e adubagem , e no Outono caem as folhas já escritas no chão, com contos que aquecerão o inverno.

Tradição inventada I

Numa povoação escocesa, bem no norte da região, entre o mar e o gelo, vendem-se cadernos já escritos. Chamam-lhes os livros em negro. Estes cadernos possuem uma só página em branco, na qual podemos escrever o que quisermos. Quando o fazemos, o resto do texto escrito adapta-se ao que escrevemos, libertando outra página, caso goste do que escrevemos para nos deixar escrever mais. Quem não continuar com o conto, ao chegar ao meio dia morre.

Bater bem no fundo… lá longe...

Quando pensava que tinha chegado ao fundo, lá bem em baixo, dei por mim a descer ainda mais. «Vocês mereceram o massacre de Tiananmen» gritei irritado para ninguém em particular, na apinhada carruagem de comboio, enquanto nos arrastávamos por mais de 2000 kms entre Kunming e Chengdu. «Por amor de deus, podem parar de fumar, cuspir e olhar para mim?», mas ninguém me entende, mesmo expressando-me em inglês.

Os passageiros que não estão a ressonar ou a dormitar, entretêm-se a olhar esgazeados para o estrangeiro. Um homem pequeno, vestido num fato cinza ao estilo Mao, levantou o seu filho ao colo para ele poder ver melhor o «nariz grande». Eu até nem sou alto para europeu, mas sentia-me estranhamente gigantesco naquela zona. Talvez fosse por estar habituado ao olhar para cima e agora estar a olhar ligeiramente para baixo, quando olhava nos olhos das pessoas, mas sobretudo por ter o cabelo louro claro. Entalado no banco do comboio, bastava assoar-me, remexer na minha mochila, ajeitar a correia da máquina fotográfica ou tentar escrever no meu diário de viagem, para tornar-me o centro das atenções. Acho mesmo que bastava respirar para ser o centro das atenções.
Parecia até que tinham vindo chineses de outras carruagens para de soslaio olharem para os meus olhos azuis e cabelo claro. «Nunca viram um cabelo de palha meio careca antes?» perguntei com frustração, nunca obtinha resposta, só olhares e mais nada.

Qualquer objecto que retirasse ou no qual mexesse dentro ou fora da minha mochila, tornava-se imediatamente objecto de especulação e admiração. Muitos aaahhs e ooohhhs ouvi por causa de coisas para mim perfeitamente banais. Assim que apanhava a minha caneta, um grupo materializava-se à minha frente para observar este estranho com esta escrita e objecto de escrita estranhos, surpreendentemente com a mão esquerda. Eu era o Homem-Elefante aprisionado, o único entertenimento durante esta viagem de 26 horas para lugar nenhum.

Às 6 da manhã, a promessa da luz do dia reafirmou o meu medo de que não tinha dormido toda a noite. Rapidamente, as luzes fluorescentes ligaram-se, a jovem no beliche em frente saltou com força para o chão da carruagem e os primeiros Marlboros acenderam-se.


Para libertar a minha mente deste aprisionamento, olhei pela janela lamaçenta. Metade do tempo, tudo o que conseguia vislumbrar era o reflexo de um homem com a barba por fazer com enormes papos sob os olhos – eu não era o que se pode chamar um campista feliz. Temi tornarme uma espécie de monstro, e pense que de facto não tinha estofo para aquilo, era demasiado picuinhas e tinha demasiados medos, sobretudo do desconhecido.

Quando emergimos uma vez mais de uma das várias centenas de túneis que separam estas regiões, consegui vislumbrar fragmentos de terrenos lavrados em socalcos largos cheios de água, que desciam a montanha, pequenas aldeias de casas de madeira e estações de comboio onde um solitário responsável de estação permanecia em pé, segurando uma bandeira verde, enquanto arrepiávamos caminho. Era como uma dessas fotos que tantas vezes tinha visto em revistas, mas ao vivo.

Para acordar passageiros dorminhocos, os altifalantes da carruagem começavam a vomitar pop chinês, que eram como piercings a penetrar os meus ouvidos. Ouvia-se desde música desconhecida até misturas de classica, versões de sucessos americanos dos ídolos Pop etc. Enquanto íamos passando através dos túneis em direcção à luz os olhos doíam, por vezes quando o sol nos aparecia de repente ou quando um reflexo de um campo de arroz alagado nos atingia.
Aos poucos a paisagem passou do bucólico para o industrial, massivas construções, minas de carvão a céu aberto, siderurgias. Depois, de novo o bucólico, uma cascata, uma pequena jangada. Por vezes, montanhas erguiam-se dos dois lados do comboio, outras vezes, acentuados declives afastavam-se das carruagens.
A minha viagem tem sido assim. Por vezes sinto que estou no topo do mundo, mais alto que os milhares de metros que já escalei. Outras vezes penso que me afundei num novo e mais profundo nível. Quando isto me acontece deixo de ser o jovem pacato e cordato para me tornar um selvagem, indiferente e intolerante, mas acho que o medo do desconhecido me torna assim. Um grupo de olheiros junta-se, todos a fumar e eu faço-lhes um gesto para que desapareçam da minha frente, mas sem efeito. O meu dicionário de Mandarim-Inglês não contém a expressão «espero que morram todos de cancro!»

Esta viagem tem sido estafante, lembro-me de ter como motivo a tentativa de encontrar vestígios da portugalidade na china profunda. Tinha lido algo sobre isso numa revista em Portugal e, como já tinha vontade de conhecer esta parte do globo, usei essa desculpa. Nestes últimos dias tenho tentado procurar por alguém que saiba algo sobre o Frei António de Jesus, que se sabe ter vivido nesta parte da China entre 1810 e 1835. Porém, as pequenas distâncias no meu mapa demoram dias a percorrer, seja qual for o meio de transporte. Tenho saudades das colinas de Lisboa e da familiaridade de Alvalade, onde conheço quase tudo e todos.

Um homem que conhecera no comboio há uns dias, possivelmente a única pessoa que consegue articular algum inglês inteligível, diz «Ni hau» enquanto me oferece uma chávena de chá verde. É um acupuncturista, e tem como destino Chengdu, vai participar num seminário. Convida-me a juntar-me a ele para um pequeno-almoço constituido por uma espécie de sopa de esparguete, no seu camarote. E, talvez se eu estivesse interessado, também alguma acupunctura para me pôr a dormir. «Vai doer muito pouco» garantiu-me. «Mas vais ter lindos sonhos.» Aceitei e sentei-me. Observei enquanto desembrulhava os utensílios. Coloquei-me deitado, como me ditava o meu novo companheiro de viagem e senti uma pequena picada por detrás do lóbulo direito. Foi como uma dor que não doía e, de repente uma sensação de calma começou a invadir-me, comecei a fundir-me com o banco sujo de napa da carruagem. Tornei-me eu próprio uma parte deste comboio que tal como eu vagueia em direcção a um destino incerto. Lentamente adormeci.

Quarta-feira, 11 de Agosto de 2004

Um Lugar ao Sol

“Tens cinco minutos”, rosnou Julia, enquanto me dirigia à cama, onde estendido em coma, estava o meu amigo de duas décadas, pairando entre a vida como um vegetal e uma morte talvez mais complacente mas, para mim incomparavelmente mais dolorosa.

Ela disparou-me um olhar que sugeria que ainda não tinha perdoado a minha longa lista de abusos e indiscrições, e antes que tivesse tempo de ver que a sua barriga estava protuberante contendo o filho dele, saiu da unidade de cuidados intensivos. Fiquei ali abandonado com uma caixa de Mon Chéri que sabia que o Ricardo nunca mais iria provar, sem saber o que fazer.

O irritante «ping» da máquina que monitorizava a viagem do Ricardo no limbo, quebrava o silêncio numa cadência certa e angustiante. Com todos os fios e maquinaria que o envolviam e que a ele estavam ligados e que o ligavam à vida, parecia mais que estava a ser de novo refeito e que iria ser de novo montado e actualizado do que a ser mantido vivo. Por momentos desejei que estivesse a ser transformado numa espécie de super herói ciborgue, em vez de um vegetal com sangue em vez de seiva.

«Pareces muito mais calmo do que quando saíste de minha casa no Sábado à noite,» disse eu, lembrando-me da última vez que tinha visto o Ricardo sorrir. Foi imediatamente depois de radiantemente me ter dito que iria ser pai e que ficara noivo da Julia, e imediatamente antes de ter entrado para o seu Audi A4 cinza. Sorri momentaneamente, mas o meu sorriso foi depressa arrancado pelo ar duro da enfermeira de serviço, que entrara naquele momento e se estacionara junto de uma criança, vítima também de acidente rodoviário, na cama ao lado, tacteando aparelhos como um cientista aeronáutico procurando sinais de vida no espaço.

Eu também procuro sinais de vida no homem com respiração difícil que está deitado na cama sete, que parece ter ganho a sabedoria e a serenidade de que estava à procura desde que o conheci no Liceu Rainha Dona Leonor, ali em Alvalade, tinhamos os dois 12 anos. Isto foi em 1985, quando ainda havia estações e as férias grandes duravam quase quatro meses, quando cada dia era uma aventura e uma ida sozinhos à Costa da Caparica para apanhar umas ondas era tudo o que sabíamos sobre o paraíso.

Dirigi-me para o outro lado da cama e lentamente puxei a pálida cortina verde pela calha para separar-nos, escudando-nos da enfermeira Lizete, e puxei a cadeira para cima para poder agarrar a mão inchada e flácida do Ricardo, a que não tinha tubos agarrados.

Como poderia ele estar tão descansado e relaxado com o permanente cheiro a cebolas e éter, o típico cheiro de hospitais. Logo ele que nunca gostara nem de cebolas nem de hospitais.

Tossi levemente para desatar o nó que tinha na minha garganta e balbuciei: «Ricky, é o Rodrigo. Então pá?!», como esperava, não houve resposta, mas insisti. «lembras-te de mim?, lembras-te das ondas da Costa? E das idas à xinxada nas vivendas do Restelo?, lembras-te das ameixas amargas que tinhamos de comer, porque quem não conseguisse era maricas? E das férias na Ericeira com os teus pais em que conheceste aquela inglesa que te tirou os três?, lembras-te? Então pá, lembras-te?»

Nada, e uma e outra vez nada, ele está completamente absorto, num imóvel esquecimento. Mas eu insisto e persisto «então pá, lembras-te quando depois dos escuteiros íamos atrás da igreja fumar charros?, e de irmos espreitar as miudas das Guias a jogar ping-pong? Lembras-te que tinhas uma grande pancada pela Rita Salles? Lembras-te que só querias ver o longo cabelo loiro dela a balançar, enquanto ela jogava? Porque é que não casaste com ela Ricky? Ela haveria de ser muito melhor para ti do que…» Olho rapidamente à minha volta para ver se por acaso a Dama Ofendida não estará por ali perto. «Não sei como aguentaste oito anos com ela. Sabes que se saires daqui vais estar em maus lençóis, ela é uma cliente muito insatisfeita.»

Observo o lento subir e descer do seu peito. «Então companheiro, passámos por tanto juntos e tu agora estás assim?»
Esperei que abrisse os olhos, mas nada. «Lembro-me que começavas sempre a espirrar no fim da Primavera e que fomos expulsos da mercearia do Sr. Lopes por roubarmos gomas e estarmos a escolher só as vermelhas. Sabes que agora já não existe? Agora é um lar de idosos, passei lá no outro dia. Já lá não ia há montes de tempo, normalmente vou pela via rápida, agora que tenho ligação directa. Imagina, Miraflores – Alvalade em dez minutos, sem problemas. O Lopes já dever ter o quê, uns 80, 90 anos?, provavelmente já morreu.» Neste momento faço uma pausa e percebo que não devo estar a divagar sobre a morte.

Gostava que o Ricardo me estivesse a ouvir. «Vá lá pá, ajuda-me. Tu és a minha ligação com o passado,sem ti as minhas memórias estão-se a desvanecer como um papel de fax deixado ao Sol.»

Começo a sentir-me como um cordeiro enviado para abate, prestes a ter a minha garganta cortada e o corpo separado em partes segundo grau de comestibilidade. «Não me podes fazer isto. Nós fomos amigos durante 20 anos, crescemos juntos, embebedámo-nos juntos rimos juntos, chorámos juntos.»

Gostava de lhe ter dito no Sábado passado que não nos deviamos ter embebedado juntos, mas não o faço, em vez disso faço um fast-forward pelos eventos na minha mente – O Ricardo a descobrir que a Julia estava grávida. O Ricardo a propôr-se-lhe. O Ricardo a dizer-me o sucedido, o seu melhor amigo, e a tomar uma ou duas cervejas. O Ricardo a sair contrariando o meu conselho de que apanhasse um taxi. «Nah!, tá tudo bem, eu evito as estradas principais, vou por dentro e apanho a Marginal, a esta hora a polícia não anda lá, só a partir da uma, quando a malta da noite começa a sair.» Brilhantes últimas palavras. Boas para um epitáfio.

No entanto ele estava certo. Não havia polícia nas redondezas, e haveria de ter conseguido chegar a casa sem problemas se não tivesse apanhado mal aquela última curva na rotunda perto da Carris. O Audi foi embater com estrondo contra um velho e grosso choupo. Demoraram cerca de duas horas a desencarcerá-lo.

«Vá lá Ricardo, dá-me um sinal, não me morras. Eu sei que ela não gosta de mim, mas eu vou ser porreiro para ela. A sério que vou tentar. Pára com esse sono. Acorda, foda-se!.»

Sou interrompido por um pequeno e educado tossir por trás de mim. «Rodrigo?». Volto-me e vejo a Dama Arrependida atrás de mim, os seus olhos inchados de tanto chorar mal deixam ver a sua cor azul. «Os teus cinco minutos acabaram!.»

Antes era o fogo amigo, agora são as milícias amigas

Segundo o Público de hoje, «O Pentágono pediu ao Congresso dos EUA o desbloqueamento de um fundo de 500 milhões de dólares para armar uma rede de "milícias amigas" em todo o mundo, com o objectivo de repelir as forças consideradas inimigas»
Mas será que estes tipos não aprendem?
Será que ainda não perceberam que com armas nunca se conseguirá atingir a paz?
No mínimo, parece-me uma vez mais uma extorsão ao contribuinte americano que vai pagar do seu bolso para que as empresas de armamento americanas continuem a fazer negócio.
De cada vez que abro um jornal, no qual se refere uma medida da administração bush, fico com os pelos da nuca eriçados, qual leão da rodésia. É que não há uma que seja minimamente coerente, pacificadora, unificadora ou adulta.
Sinceramente, sou cada vez mais da opinião que esta administração pretende por todos os meios arranjar maneira de tornar as coisas tão más, que a próxima administração ao entrar, tenha de tomar medidas tão impopulares de contenção de despesa que os cessantes possam dizer: «eu bem vos disse, estes tipos não iam-vos aumentar os impostos...»
Os EUA armaram os iranianos e lixaram-se, armaram Saddam e lixaram-se, armaram diversas ditaduras sul americanas e lixaram-se, será que não aprendem?
Antes falavam no fogo amigo, um amiguinho que mata, mas foi sem querer, não queria magoar, agora são as milícias amigas, vamos ver se estas magoam ou não.

Relevância

Relevância significa:
A Qualidade ou estado de ser relevante; pertinência, aplicabilidade ou relacionado com a matéria em causa, importância, vantagem.

Ser relevante significa que nos estamos a adaptar às necessidades e quereres das pessoas com quem interagimos, só desta forma conseguimos ser importantes, pertinentes, relacionarmo-nos etc.
Significa ouvir, adaptar, personalizar, antecipar, perceber, simpatizar, «customizar», responder, cooperar, colaborar, tolerar, criar empatia, respeitar. Só com estes significados, podemos ser relevantes para os outros.

Gostava que um dia as pessoas não tivessem que tolerar a irrelevância

Gostava de um dia ser relevante...

Terça-feira, 10 de Agosto de 2004

SEINLANGUAGE

seinfeld.jpg

Acabei de ler o livro do Seinfeld «Linguagem Seinfeld» e, de facto trata-se de um conjunto de ideias que bem espremidas dariam não para um sumo, mas talvez para uma centena de batidos de chocolate com pedaços, ao bom estilo de Brooklyn.
Trata-se de facto, como refere o Nuno Markl, de humoristicamente resumir em pouco mais de uma centena de páginas todas aquelas ideias que tivemos ou não sobre as mais variadas coisas mas que nunca nos questionámos verdadeiramente sobre seu porquê. Desde a nossa casa, ao nosso carro, às miudas, a Deus, às torradas, de tudo se encontra neste sótão literário, sem nunca cair no humor fácil.
Já tinha visto um vídeo com actuações dele (Acabei de ler o livro do Seinfeld «Linguagem Seinfeld» e, de facto trata-se de um conjunto de ideias que bem espremidas dariam não para um sumo, mas talvez para uma centena de batidos de chocolate com pedaços, ao bom estilo de Brooklyn.
Trata-se de facto, como refere o Nuno Markl, de humoristicamente resumir em pouco mais de uma centena de páginas todas aquelas ideias que tivemos ou não sobre as mais variadas coisas mas que nunca nos questionámos verdadeiramente sobre seu porquê. Desde a nossa casa, ao nosso carro, às miudas, a Deus, às torradas, de tudo se encontra neste sótão literário, sem nunca cair no humor fácil.
Já tinha visto um vídeo com actuações dele (Jerry Seinfeld Live on Broadway: I'm Telling You for the Last Time), os anúncios da American Express com o Super Homem, a série e só me faltava mesmo o livro, para confirmar o génio humorístico que Seinfeld é.

Pelas gargalhadas e por tudo, obrigado pá.

Salvos do Salvado

Foi-se.
Finalmente foi-se embora um dos seres que mais me agoniavam em termos de cargos públicos.
Adelino Salvado, apesar de sair como virgem ofendida de todo este processo, que se arrasta há demasiado tempo, não passa de um dos grandes mentores de toda a podridão que grassa no sistema judicial português.
Salvado foi sempre um peão do PSD e do PP enquanto chefiou a PJ, e foi e é responsável em grande medida pelo mau desenrrolar de casos em que se viam envolvidos dirigentes do PSD ou do governo.
A exoneração puramente vergonhosa de Maria José Morgado, mulher que teve a ousadia de tocar em demasiadas feridas, a exoneração de quem implicasse com intocáveis aberrações do PSD como Valentim Loureiro no caso apito dourado, as fugas de informação selectivas para minarem dirigentes do PS e o consequente alarde quando as investigações começaram a atingir membros do governo, todas estas são razões pelas quais Adelino Salvado não merece nem o meu respeito, nem a mínima pena pela dua demissão. Só acho que peca por tardia.
A única pena que tenho é a de saber que como esta alforreca pertence ao sistema certamente irá ocupar outro cargo, talvez público, onde de certeza mais uma vez irá prestar vassalagem aos seus amos, qual Sméagol aproveitador, em desfavor do povo português e de toda a liberdade de pensamento e expressão.

Morra o Salvado,
Morra, Pim!

Sunday Bloody Sunday

it's true we are immune
When fact is fiction and TV reality"
- U2, Sunday Bloody Sunday

Bloody Sunday é o nome dado ao domingo, 30 de Janeiro de 1972 na Irlanda do Norte. Resumidamente, esse foi o dia em que uma marcha pelos direitos dos cidadãos em Derry, terminou com 13 civis abatidos e outros 14 feridos. Este trágico evento, incluido no contexto dos «problemas» irlandeses e no terrorismo do IRA, ainda hoje é lembrado, e motiva muitos ódios.

Quando os U2 gravaram inicialmente «Sunday Bloody Sunday», escrita sobre aquele dia e o vasto conflito da Irlanda do Norte, houve quem pensasse que era um chamamento e um apelo à resistência armada. Bono Vox começou então a prefaciar todas as suas actuações ao vivo desta canção com o anúncio «this song is not a rebel song…». E de facto não o é como o comprova um olhar atento sobre a letra.

De cada vez que um ataque terrorista ocorre, este prefácio dessa música ecoa-me na cabeça. Seja quando os atacados são irlandeses, ingleses, espanhóis, iraquianos, americanos, brancos, pretos, muçulmanos, cristãos, etc. Este eco diz-me que apesar de todo o mal que nos causem, não responderemos da mesma forma primária, seremos superiores. Mas infelizmente o ser humano pouco conhece da razão, tem uma visão demasiado maniqueísta da realidade, o bem contra o mal, nós contra eles.

Talvez mais Bonos sejam necessários, talvez todos nós devêssemos por vezes tentar encontrar o Bono deste tempo que temos dentro de nós.

This Side Up

Estando aqui neste rectângulo de pedra no hemisfério norte, mas a sul da Europa, poderá sugerir que tenho uma visão de «este lado para cima» do mundo.
Lembro-me de um episódio engraçado em que um grupo de países, não me lembro quais, mas pertencendo todos ao hemisfério sul, queriam alterar todos os mapas do mundo de cabeça para baixo. Desta forma, colocavam o hemisfério Sul na parte de cima, o que até faz algum sentido, porque tal como é o universo, não sabemos realmente qual é a parte de cima do mundo.
Vejamos as coisas de outro ponto de vista. As Religiões, maioritariamente pregam o amor e a paz, mas grande parte das lutas deriva de diferenças religiosas. Os governos deveriam pregar a união e a paz e são responsáveis pelas atrocidades mais cruéis como a guerra. África e América Latina são os países com maiores recursos naturais, e neles morre-se à fome. Será que se virássemos o mundo ao contrário do que conhecemos, ele não seria melhor para todos, em vez de ser apenas bom para alguns??

Segunda-feira, 9 de Agosto de 2004

What if God was One of Us

"If God had a name what would it be?
And would you call it to his face
If you were faced with him in all his glory?
What would you ask if you had just one question?"
- Joan Osborne, One of Us

A sério, se ele existisse e se tivéssemos a oportunidade de lhe fazer uma pergunta, qual seria?
O que é que gostariamos de saber?
Como vamos morrer?
Quando vamos morrer?
Se vamos ter sucesso?
Se os nossos filhos e nossa descendência nos farão sentir realizados?

Após algum tempo, creio que consegui encontrar a pergunta que, chegada a hora, lhe faria. Essa pergunta é a mesma que ele próprio colocou, quando lhe perguntaram se ele era um profeta, o filho de Deus ou Deus: «Quem diriam que sou?»
Adaptando essa pergunta, perguntar-lhe-ia:
Afinal, quem sou eu?

Nós e Eles

Nós e Eles. Não deve haver nenhum recanto do mundo em que este tipo de pensamento não seja nota dominante. Quer seja através do pensamento maniqueísta do bem versus o mal, quer através da hostilidade da guerra, quer seja no pensamento de pertença ou não a um grupo, tendemos constantemente a dividir as pessoas em grupos.
O problema inato no pensamento de nós versus eles, é a falta de visão spiritual. Os que estiverem connosco são endeusados e protegidos. Aqueles que que não estão connosco tornam-se o inimigo. Consequentemente falhamos por deixarmos de ver os nossos próprios defeitos e falhas

Freedom

Uma das palavras que mais utilização tem nos tempos que correm é Liberdade. Liberdade, traz à nossa mente imagens sobre sermos capazes de pensar, dizer e fazer o que desejarmos sem impedimentos, obstáculos ou punição. POrém, no nosso mundo a palavra liberdade tem sido cada vez mais relativizada. Para alguns, liberdade é viver sem o medo do terrorismo, no entanto aqueles chamados terroristas dizem estar a agir em nome da liberdade.
Mas o que é que é a Liberdade? Mesmo com as melhores intenções que possamos ter, devemos admitir que não controlamos todas as circunstâncias, desde conflitos globais até ao tráfego matinal nas nossas cidades, há situações e eventos que estão para lá do nosso controlo. Ninguém é completamente livre, porque estamos sujeitos quer ao meio ambiente que nos rodeia, quer aos outros seres humanos que habitam neste mundo connosco. Estamos fisicamente restringidos de muitas maneiras, e sabemos também que mentalmente não estamos melhor, estando menos livres que antes. Mentalmente o nosso poder está cada vez mais fraco, e mesmo pensando que temos liberdade de pensamento, somos demasiadas vezes influenciados pelas ideias mais populares e comuns dos nossos dias, quer seja pelas pessoas que nos rodeiam quer por outros meios como os media. Parece que ninguém experiencia realmente a verdadeira liberdade – a liberdade sem obstruções, grilhões físicos e psicológicos.
Esta conclusão deixa-nos com uma imagem cinzenta-escura da nossa existência, uma espécie de realidade bio-mecânica na qual somos controlados pelos elementos e influências que nos rodeiam, enquanto lentamente entramos em decadência. E há os que subscrevem e os que promovem esta forma de ver e viver a nossa existência.
Claro que teremos de considerar outros factores, não sendo esta a imagem geral, uma vez que também temos que considerar a liberdade espiritual. A liberdade espiritual não depende de circunstâncias, tendências globais ou políticas. A liberdade espiritual, a verdadeira liberdade do espírito humano vem de outro lado, de outra fonte. Uma fonte interna que depende de nós próprios.
Há quem lhe chame fé, há quem lhe chame Deus, quem lhe chame Chi, para mim trata-se apenas de uma força interior, uma força que muitos temos e que nos permite continuar neste mundo sem nos sentirmos autómatos, mesmo com todos os condicionalismos a que nos obrigam e obrigamos.
O Apóstolo Paulo, que sofreu espancamentos, apedrejamentos e a prisão, escreveu numa carta a uma das primeiras igrejas cristãs «apesar do nosso Homem exterior estar a perecer, o Homem interior renova-se a cada dia. Onde estiver o espírito do Senhor estará a liberdade.» Para Paulo, Deus seria a Sua Liberdade. Para um budista, um muçulmano, um judeu ou de outra religião qualquer, liberdade será viver uma vida onde se encontrem em pleno com o seu Deus. Mas pergunto eu, Não será o facto de se ter de viver de acordo com um Deus ou uma Doutrina, mais uma limitação à verdadeira acepção da liberdade?
Poderão dizer as várias religiões ou doutrinas que «A verdadeira liberdade surge com o conhecimento e com o perdão», ou que «A nossa liberdade acaba onde a liberdade do outro começa», mas nunca conseguirão defenir a verdadeira liberdade em que seremos completamente livres e sem condicionalismos externos.

Preparação para a reforma livresca

Este fim-de-semana cheguei a uma conclusão, que me deixa contente por um lado, mas triste por outro. Com 31 Anos e já estou a preparar a minha velhice. Enquanto arrumava mais uns dos muitos caixotes que ficaram por abrir na minha mudança de casa, reparei que estavam muito pesados. Quando os abri verifiquei que tinham livros, muitos e que ainda não tinha lido grande parte deles. Gostava de ter tido tempo para os ler, mas infelizmente não tem sido possível, a vida é demasiado agitada e os dias são demasiado curtos para poder dedicar-me como quero à leitura.
Por momentos cheguei a pensar o que faria com tanta leitura, chegando mesmo a equacionar oferecer alguns quantos para uma biblioteca ou escola. Mas esse pensamento durou pouco pois foi esmagado por um sentimento de felicidade antecipada. Se chegar a velho, e me reformar, vou ter o tempo que preciso para lhes dedicar, o tempo que agora não possuo.
Só espero que a cabeça ainda ajude...

Domingo, 8 de Agosto de 2004

Hoje é só Contos

Hoje só escrevi contos neste meu primeiro diário de sempre. Não quero com isto que se pense que deixei de pensar em política e que por dentro já não me surpreendo por sermos governados por quem somos sem termos tido oportunidade de nos pronunciarmos se estavamos de acordo ou não.
Mas hoje é domingo e, decidi fazer uma trégua....

O Diário em branco

Bárbara decidira começar a fazer o seu diário naquela noite, porém queria evitar a todo o custo repetir o estilo infantil que as amigas continuavam a utilizar, afinal já tinha 12 anos. Naquela noite, o soalho e os móveis velhos rangiam mais que o habitual. A temperatura tinha descido bastante com o entardecer e, com a noite agravara-se ainda mais. Isto misturado com uns dias anormalmente quentes de Outubro fazia móveis, tectos e chão produzirem mais ruído devido à contracção da casa, toda ela feita em madeira.
A vontade da perfeição impedia-a de começar, por diversas vezes tinha tentado começar, tendo até colocado a caneta sobre o papel, mas o medo de errar era maior. Pensou em fazer um rascunho, mas depressa desistiu dessa ideia, por achar que a verdadeira arte estaria em escrever directamente do coração para o papel.
Duas horas esteve a tentar e a pensar e repensar, mas nada do alto da sua dúzia de anos lhe parecia importante o suficiente para a levar a começar a batalha com a folha em branco. Finalmente, a luta venceu-a e nessa noite adormeceu agarrada ao diário em branco.
Por duas vezes acordou durante a noite com um estalido mais forte do ranger do chão, mas voltou sempre a adormecer. O sono ainda era mais forte que o desejo de expôr a sua vida num maço de papel e por isso deixou-se ficar a dormir. Amanhã o seu pai viria de fora com um brinquedo novo e já teria outra coisa com que se preocupar. Poderia deixar de se preocupar com o seu diário em branco.

A história repetida

Rodrigo vivia há vários anos numa ilha deserta (ou numa ilha não descrita nos livros de geografia). Não se lembrava de como tinha ido ali parar, só lembrava de um dia ter acordado ali, que se chamava Rodrigo e que tinha sede, muita sede. Era muito estranho estar ali numa ilha deserta, sobretudo porque se encontrava perfeitamente vestido e seco. Ainda mais estranho era o facto de quando acordara ter debaixo da sua cabeça um exemplar ligeiramente usado do Robinson Crusoe de Dafoe, com um marcador colocado exactamente na página em que Robinson chega à ilha.
Conhecia sobejamente a história, avidamente lida durante a juventude, mas não compreendia o porquê de tanta coincidência. No entanto, habituou-se à sua condição de náufrago e depressa lhe surgiram ideias de suplantar o ídolo do seu livro. Se Robinson construira uma modesta cabana nas árvores, ele iria edificar uma grande cidade com arranha céus, estradas, pontes e tudo o mais, para disfrute de possíveis turistas, estudantes e novos ilhéus que haveriam de visitá-lo.Mas não foi assim, não sabia construir nada, nem o mais pequeno nó sabia dar para atar dois paus, quanto mais construir uma cabana.
Uma manhã, estando Rodrigo a caminhar à beira mar, contemplava as palmeiras e imaginava que estas lhe olhavam com desdém. Continuava a pensar na solidão dos primeiros tempos de Crusoe e sentiu compaixão por ele e por si próprio. Continuou a caminhar, cada vez mais, cada vez mais, e mais ainda, até cair exausto na areia.
Pensou em dormir ali mesmo, «talvez, quem sabe, uns canibais me encontrem e me matem fazendo de mim um ensopado», e sorriu. Tinha a certeza de estar a viver outra história, alheia a todos os seus desejos, uma história que só poderia ser gravada num sítio, na sua mente.
Nessa manhã já não acordou, e em vez dele, debaixo dos coqueiros jazia um novo livro, com uma história quase repetida.

Pensamento de um personagem de quadro e de conto

Estou de novo neste labirinto de espaço branco preenchido com letras negras. Sinto-me desconfortável por estar pendurado nesta sala há mais de 20 anos.. Venho de outro relato ainda fresco e aproveito que o meu criador dorme com a cabeça em cima da mesa para que não escreva que sou simplesmente um lenhador pobre que está pintado num retrato, como um adorno de modesta sala de jantar. Já tinha sido motivo de inspiração noutras vezes, talvez pelo meu rosto característico, com rugas profundas e ar grave e duro, mas ao mesmo tempo com uns olhos azuis cheios de ternura paternal, mas desta vez não me apetecia ficar só ali. Tenho sede e procuro quem aceite o dinheiro antigo que trago no bolso
Consigo arrastar-me no caminho desenhado e escrito, e chego a uma taberna que ainda se encontrava aberta. O dono reconhece o meu dinheiro e aceita-o, em troca de um copo de porto que ajudará a aquecer-me os ossos. Bebo-o de um trago, como não é correcto fazer, e peço outro que beberei mais calmamente. Estende-me a mão larga com o copo de novo cheio e eu agradeço. Entretanto, entra no bar um doutor-não-sei-em-quê que diz umas palavras que não entendo, porque só sei de montanhas e de bosques, e começa a gritar com o dono do bar que apanha boleia da gritaria e lhe responde no mesmo tom. Com o alarido, noto que o meu criador se desperta nesse momento e volto para a minha posição no quadro e no conto em que lhe aceno com um sorriso, pois sou apenas um quadro numa parede e umas letras ao acaso misturadas num conto.

A revolta do personagem

Gostava que um dos personagens de um conto meu tomasse um dia um café comigo e me ameaçasse que se não tratasse a história de forma coerente, se amotinaria com todos os outros personagens (narrador incluído) criando o Sindicato Único de Personagens do Conto Fantástico e Afins.

Sábado, 7 de Agosto de 2004

Aviso à navegação

Séneca dizia que «Quando se navega sem destino, nenhum vento é favorável.»
Esta frase poderá ter vários sentidos, e reportando-me à actual situação do país, e à decisão de deslocalização de secretarias de estado, encontro-lhe um sentido perfeito. A recente decisão de mudar a Secretaria de estado da Agricultura para Santarém, e ainda mais recentemente para a Golegã (que é mais fina, e tem uma feira do cavalo com tias e tudo) dá completa razão ao escritor romano. Este governo, de facto não tem um destino concreto, vai mudando ao sabor do vento, a verdade para ele é apenas o agora, amanhã já pode ser completamente ultrapassada.
Séneca referia-se também à inconstância e infelizmente é ela que nos governa. Assim, nunca chegaremos a nenhum porto.

FERNANDO PESSOA SOBRE SALAZAR

pessoa.gif

Este senhor Salazar
É feito de sal e azar.
Se um dia chove,
A agua dissolve
O sal,
E sob o céu
Fica só azar, é natural.
Oh, c'os diabos!
Parece que já choveu...
Coitadinho
Do tiraninho!
Não bebe vinho.
Nem sequer sozinho...
Bebe a verdade
E a liberdade,
E com tal agrado
Que já começam
A escassear no mercado.
Coitadinho
Do tiraninho!
O meu vizinho
Está na Guiné,
E o meu padrinho
No Limoeiro
Aqui ao pé,
Mas ninguém sabe porquê.
Mas, enfim, é
Certo e certeiro
Que isto consola
E nos dá fé:
Que o coitadinho
Do tiraninho
Não bebe vinho,
Nem até
Café.
29-03-1935

Prédisposição para Escrever um Conto

Um livro de uma só página infinita. Uma página de uma só palavra interminável. Um personajem desconhecido. Um Leitor de espaços entre cada palavra. Uma história que deixa a sua substância na primeira linha, que é a última e única. Um sentir do gozo ao repetir uma palavra. Gostava de um dia escrever um conto assim, com uma palavra só, e descrever o momento e a acção num monossílabo.

Sexta-feira, 6 de Agosto de 2004

Desabafo no Barnabé

Este desabafo foi escrito por mim num comentário no Barnabé.

«Creio que um dos grandes problemas da direita continuará a ser querer justificar as coisas de forma demasiado simplista. Para eles, a esquerda continuará a ser sempre a ser sinónimo de algumas épocas conturbadas que se viveram durante o século passado. Para eles, será sempre sinónimo de PREC, de Estalinismo, de Mao, da cortina de ferro, de KGB, de alguns regimes ainda existentes etc. É esta tentativa de meter medo com essas realidades afastadas que os faz pensar serem donos da razão e esquecer-se propositadamente que existe uma esquerda moderada, de valores ambientais, sociais, mas também económicos. E utilizam todas as formas possíveis e imaginárias para defenderem essas teses, conseguindo, por despeito defender algo que no mundo actual e civilizado já não deveria ter lugar. Creio que no fundo, o problema desta nova direita (velha) é a preguiça mental que lhes tolhe o discernimento. Claro que não acho que tudo de mau venha da direita nem que a esquerda seja um poço de virtudes, mas acho que a direita está neste momento a sofrer um derrame cerebral provocado pelo excesso de demagogia e colagem a uma extrema direita bacoca, bafienta e salazarista que não os permite evoluir.
Assumindo-me como um Social Democrata, na verdadeira acepção do conceito, e distanciando-me deste PSD e dos anteriores que de social democracia não têm nada, econtro mais defeitos que virtudes neste governo, e não vislumbro nenhum bem que dele possa advir, por isso sou tão crítico.
Por isso pergunto eu, Que direita é esta?, onde estão os bons políticos de direita, as pessoas com ideais e não só com interesses?»
Foram pura e simplesmente obliterados pelos néscios que neste momento nos governam.

A Direita e o Mundo Económico

Na vida prática sempre se ouviu dizer, que a esquerda era mais social, e a direita mais económica, a esquerda pelas pessoas, e a direita pelo capital e interesses empresariais. Que a esquerda era dada ao ensino e à teoria e a direita dada à acção das empresas. Logicamente, se partirmos do pressuposto que a experiência acumulada nas empresas da direita versus a teoria e o saber sem prática da esquerda, então, o Mundo, uma vez que está neste momento a ser governado maioritariamente pela direita, deveria revelar um superavit estrondoso, fruto do conhecimento e prática económicos dessa mesma direita. Porém, aquilo a que assistimos cada vez mais é a um afundar progressivo da economia mundial. Nos EUA, Bush (de direita) recebeu de Clinton (de esquerda) um superavit e conseguiu gerar um dos maiores deficits a que aquele país alguma vez assistiu dadas as sucessivas políticas erradas da administração actual. Em Itália Berlusconi é um exemplo do pior estilo mafioso e, neste caso, torna-se particularmente grave, quando inclusivamente altera leis para evitar ser condenado, e para beneficiar as suas empresas de Media. Em França, Chirac, também a braços com escândalos vários, que foram sendo ocultados, está cada vez mais isolado quer pela direita moderada, quer pela generalidade do povo que cada vez mais se coloca nos extremos, quer na esquerda, quer na direita. Na Rússia o Kremlin assume cada vez mais uma política de cópia barata dos EUA e com isso vai-se também afundando por nem sequer conseguir resistir à força das máfias que controlam a economia do país Etc. Etc. Etc. E em Portugal temos neste momento o que temos, uma extrema direita mascarada de moderada com incompetentes na maoioria das pastas que unicamente conseguem convencer os empresários dos grupos que conseguiram colocar pelo menos um dos seus «experientes» membros numa pasta escolhida de acordo com as suas necessidades. Onde é que isto vai parar.???....

Pudor

O sentimento é de vergonha, os pudores e a educação ruborizam-lhe a cara de cada vez ele que lhe sussura alguma ordem nova. O seu corpo nu está apenas coberto por um xaile de renda branca e por um pequeno leque semi-aberto, pousado sobre o seu colo. A mulher, jovem, tem a mão também semi aberta a cobrir-lhe a cara. Por detrás dos dedos semicerrados, descobre-se um sorriso tímido e um olhar que o fixa directamente, e ele devolve-lhe o olhar. Com a poesia profissional que é devida aos mestres durante a criação das suas obras, ele nada sente para lá da lente. Tudo o que precisa é que o sentimento que se desenha no exterior, seja capturado, e se possível roubado e aprisionado no momento em que o clique soar. O ar sabe a escuro, apesar de ser dia lá fora, e o Sol indirecto ainda tocar muito ao de leve na ponta do seu pé esquerdo. Os pontos de luz suave que lhe apontam os focos indirectos, iluminam metade da cara, o colarinho, os dois punhos e o leque abandonado no seu colo. O clique soa. O som imperceptível do sorriiso satisfeito do artista ecoa pelo espírito dos dois, e outro clique ouve-se quando o pudor dois dois é quebrado apenas com um olhar.

Estatística utópica

Uma pessoa normal tem á volta de 1460 sonhos por ano. Neste momento, eu tenho apenas um que parece saido de um concurso de misses: que este mundo mude depressa e para melhor.

Estatísticas

7% dos americanos acredita que Elvis está vivo. 25% dos americanos acha que Sherlock Holmes existiu. 25% também acreditam em fantasmas, e 10% dizem ter visto um. 44% acham que Bush é um bom presidente para a economia mundial. Tá tudo dito, tragam-me um mito, e haverá sempre uma percentagem significativa de americanos que acreditará neles.

Pobre Puto Rico

Enquanto a chuva miudinha apaziguava o calor tórrido na capital, um adolescente perdia a vida devido ao impacto de uma bala que lhe trespassou o coração e o pulmão, indo alojar-se numa árvore, também ela morta. Tinha ido à mercearia comprar umas velas porque no bairro ilegal onde morava havía sido suspenso o serviço de energia eléctrica depois de uma vistoria da EDP e da posterior vinda dos técnicos que com escolta policial repararam as puxadas ilegais que eram uma constante na zona.
Márcio Sousa era o seu nome, mas toda a gente o conhecia como Puto Rico pelo aspecto limpo que gostava de apresentar e pelo jeito de estar sempre a mexer vaidosamente no cabelo. Calhou estar no local errado à hora errada e ser atingido com um projéctil perdido, depois de este fazer ricochete num poste. No bairro onde vivia, o uso de armas tinha-se tornado habitual e mesmo ele tinha uma «para protecção», que tinha comprado a um amigo que a tinha roubado a um polícia durante uma rusga.
Dois putos de 10 anos tinham calculado mal a pontaria a uma lata de tinta e foram atingir o Puto Rico mortalmente. Contraditoriamente, este «Puto Rico» será enterrado com um fato muito humilde, descalço, e o seu corpo será velado numa barraca tão modesta que a única riqueza será a do choro pela perda do menino rico da sua mãe.

Açores

Este ano decidi conhecer o Portugal que me faltava e que sempre fez parte do meu imáginário mais viajante. Saio de Lisboa no dia 29 deste mês e vou aos Açores. Irei estar a visitar a Terceira, São Jorge, Faial e Pico. Até dia 4 de Setembro, se tudo correr bem irei dedicar-me a conhecer um património muitas vezes esquecido pelo povo português, mas que é uma parte importante da nossa identidade como povo de mares e do mar. Depois de vir, seguramente que terei muito mais para contar sobre os barcos de pedra que formam, segundo contam, um dos mais belos paraísos naturais do mundo

Quinta-feira, 5 de Agosto de 2004

A PIZZA mais sexy do Mundo

Durante os séculos, as pessoas têm procurado alimentos que os fizessem ficar com outros apetites e que lhes despertassem a libido. Desde testiculos de porco a ostras, de mioleiras várias a alcachofras, numa altura ou noutra todos foram considerados afrodísiacos.
Claro que tudo isto aconteceu antes do aparecimento da pílula azul da Pfizer, o Viagra. Porém mesmo com o comprimido azul, uma cadeia de supermercados do Reino Unido, a ICELAND, lançou uma pizza que segundo diz, irá acelerar pulsações e colocar algumas libidos aos saltos com uma FROZEN PIZZA, ou seja, uma pizza fria com ingredientes que vão desde os morangos, ao gengibre, bananas (serão inteiras???) ginseng, etc.. E, para apimentar ainda mais os apetites decidiram chamar-lhe PIZZAGRA, subtil não?!
http://money.cnn.com/2004/02/10/pf/valentines_aphrodisiac_pizza/

O UPDATE – Teoria da Conspiração

O aviso de que os principais centros financeiros dos EUA poderiam ser atacados pela Al Qaeda, basearam-se em informação com três anos, segundo referiu Tom Ridge, Secretário de Segurança Nacional dos EUA, apesar de alguma dessa informação classificada se ter apurado em Janeiro deste ano, o que tornaria a ameaça ainda bastante real.

Aqui faço uma pausa para pensar no que atrás está escrito. TRÊS ANOS????, pois se
há três anos foi quando o ataque de 11/9 se deu, quer isto dizer que antes do ataque já sabiam desta informação e não fizeram nada?????. OK, tudo bem....

Mas em relação a esta notícia ainda há mais... Segundo Tom Ridge, a cidade de Nova Iorque tem neste momento menos 4000 polícias que em Setembro de 2001, e este ano, esta cidade foi uma das que mais viu serem reduzidos os fundos para a segurança de todos os EUA (de facto foi a com a segunda mais baixa contribuição).

Resta dizer que os Republicanos irão fazer a sua convenção dentro de um mês, mais ou menos, e, imaginem onde: Tcharããããã: Em Nova Iorque, acertaram.
Imaginem que haveria um ataque terrorista ou ameaça nessa altura – que grande empurrão seria para a campanha de bush. Isto não vos parece suspeito??

Graham Reid: Land of the free, home of the afraid

Mas que grande texto, a visão de um estrangeiro sobre o medo que grassa nos EUA, e que não é provocado inocentemente. Apraz-me ver que não sou o único, o problema é que todos sabemos ou suspeitamos disto, mas será que os americanos sabem?:


The cover of New York's weekly Village Voice in early June encapsulated the feeling in a single image. It was a variation on Grant Wood's famous painting American Gothic, the portrait of the elderly, pitchfork-bearing Iowan farmer and his spinster daughter. But rather than representing the Puritan ethics and hard-working dignity of the Midwest as Wood's 1930 painting intended, in the Voice adaptation their eyes were glancing about fearfully.
The heading for the related articles was Paranoid Nation: Bush's lies spawn an age of doubt.
During two months travelling from California to Georgia, and time in New York and San Francisco, I couldn't help observe Americans being scared into fear and uncertainty. The Voice essays - subtitled "From Nicholas Berg to Abu Ghraib, the search for something to trust" - simply confirmed the creepy feeling.
With the announcement this week by homeland security chief Tom Ridge of a possible al Qaeda attack on specific targets in New York, Newark and Washington DC the fear factor was hiked up yet again. But so was the cynicism; Americans have heard this all before.
Former Democratic presidential candidate Howard Dean perhaps spoke for many when he noted that in the absence of specific information available to the public it was hard for people to know what to think.
"I am concerned that every time something happens that's not good for President Bush he plays this trump card which is terrorism," Dean told CNN. "His whole campaign is based on the notion that 'I can keep you safe therefore at times of difficulty for America, stick with me' - and then out comes Tom Ridge."
For many Americans of all political persuasions Ridge is sounding like the boy who cried wolf. In May he weighed in with a vague warning of a terrorist attack being imminent and many noted with cynicism this announcement came after Bush had again fallen in the polls, and that the alert status remained unchanged. America feels like a country being driven into a perpetual, Orwellian position of vigilance and alarm.
But it isn't just tetchy politics creating this climate of fear and uncertainty - popular culture is infected by insinuating paranoia.
The bestseller in truckstops, bookstores and on people's lunch tables is Dan Brown's novel The DaVinci Codes. Its source is the pseudo-history Holy Blood, Holy Grail published more than a decade ago and which was a purported investigation of the Knights Templar, French secret societies, the Rosicrucians and Nazis.
It matters little that the earlier book was widely discredited: Brown's even more fictional version - a murder-thriller lacquered in faux-history - is being taken seriously in some quarters. It spawned a popular spinoff pseudo-documentary.
Otherwise sensible people are persuading themselves there is so much they don't know about the way governments and oddball secret organisations work that they must be in cahoots, that the New World Order is coming, that the furtive Catholic organisation Opus Dei is controlling governments ...
Unseen enemies are everywhere.
Alex Jones - a kind of feral Michael Moore - has a popular website, infowars.com, which argues that America is rapidly becoming a police state (the Patriot Act only the beginning), and the Bush administration knew about the impending al Qaeda attacks in 2001 but did nothing, to gain political supremacy at home and abroad.
These kinds of assertions are perhaps not unexpected in a nation that has still not resolved the assassination of its most popular president. But it is also symptomatic of a bigger picture of suspicion and uncertainty.
America is a land besieged from without and within. Hollywood is framing this as a time of confusion, when you've got to watch your back, your elected officials and even the weather.
The Day After Tomorrow, an artlessly silly B-grade disaster flick, was used as the starting point for superficially serious discussions about global warming everywhere from newstalk television to apocalyptic religious programmes. In the movie the ice-caps melt and the world - or more correctly, New York because that is about all we see of the world - is thrown into an overnight ice age. Nature itself is conspiring against America.
Critics, almost without exception, noted the resemblance between the do-nothing vice-president in the film and Dick Cheney. The anti-Bush website MoveOn.org called it "The Movie the White House Doesn't Want You To See".
This is untrue of course, but the blazing headline illustrates how politicised, partisan and paranoid America has become.
Even former Vice-President Al Gore - a mild-mannered man who many believe had his personality removed shortly after birth but who has re-appeared as a born-again, bellicose politician mounting attacks on the Bush Government - said he considered the film "extremely enjoyable and exciting - beyond the message".
There was a message?
Then I, Robot arrived. Set in an imaginary near-future when robots rise up against humans, it makes you look twice at your automated world. Now there is the remake of John Frankenheimer's Cold War classic, the political thriller The Manchurian Candidate. It comes with the chilly slogan, "Everything is under control ... " and is set against the backdrop of suicide bombers in a security-conscious America.
Released in the States last week it has a subtext of corporate influence on the White House. The film's producer Tina Sinatra - youngest daughter of Frank, who starred in the original film - acknowledges the shady Manchurian Global corporation in the new version has some similarities with the Carlyle Group and Halliburton, with whom senior Republicans have close connections. Another case of the enemy within.
Sinatra remembers her father sending the family out of town after the assassination of president John Kennedy, a year after the original film's release.
"I remember that paranoia and fear," she told the Village Voice. "So I think this film, at a substantially different level, is affecting people in the same way at test screenings. I've seen that youth are frightened; there is a reason to worry. Maybe it's too timely."
As LA Weekly reviewer John Powers notes: "Because we already live in an era of nonstop political paranoia and conspiracy mongering, fiction must struggle to equal, let alone outstrip, reality."
In a nation that frequently, often desperately, elevates ordinary people to iconic status with unquestioning enthusiasm, even heroes are being revealed to have feet of clay.
In the new film The Alamo John Wayne's tight-lipped and fearless Davy Crockett of yesteryear has been supplanted by Billy Bob Thornton's portrayal of Crockett as a reluctant fighter who probably wouldn't have been at the old mission if he'd got wind of what a slaughter it was going to be. The Alamo occupants bicker among themselves as the Mexicans surround them. Heroes?
They are even hard to find in real life.
The image of jut-jawed football player Pat Tillman - characterised as a kind of moral superman who quit a lucrative playing career to join the military, only to die in Afghanistan - was seen everywhere for a week. He was hailed as a modern American hero, or at least was held up as one by the Fox network and the military while the Iraq prisoner mistreatment crisis was blowing up big.
When it was learned he had been killed by "friendly fire" - and many bar-room patriots discovered the difference between Afghanistan and Iraq - the headline story became tarnished and faded quietly into inside pages.
The beheading of Nick Berg proved even more problematic. Rather than an event that galvanised a nation's spirit, doubts were immediately cast. Suspicion was endemic.
"Jesus, you gotta wonder about a guy who goes into a war zone like that and seems to just wander around looking for business," said John-Michel from Lafayette over martinis.
He encapsulated the concerns many have, and the widespread mistrust about news coverage. And news just keeps happening, most stories disappearing beneath the impact of a new one, or the weight of over-analysis. In rapid succession came gay marriages, a new crisis in Iraq, petrol prices, Pat Tillman, inmate abuses in Iraq, Nick Berg, Michael Jackson, assassinations in Iraq, petrol prices again ... Few of these lasted more than a day or two as headlines. As in the Berg case, the more you learned the less you knew.
Political reporting suffers from a curious conjunction of too little information and too much analysis.
During the war in Vietnam a famous anti-war poem had as its repeated refrain, "a spokesman said" to underscore how much information - and disinformation - came from unattributed sources. Things have changed. Now spin-doctors and experts (usually with conflicting interpretations) clutter up nightly newstalk television. There are interviews with former and current military figures, strategists, political scientists, lawyers representing those facing prisoner abuse charges, military personnel, senators, journalists - and just about anyone in a suit with an opinion. The "spokesman" can barely get a word in above the chatter.
Conspicuously absent are the two figures you might most expect to be there: Bush and Kerry.
While our Prime Minister can be found everywhere from student radio to Holmes and the leaders of the Opposition and sundry other minnow parties have their hands up like keen schoolchildren, Bush and Kerry appear as stolen images. It was hardly surprising most Americans didn't know much about Kerry until the Democratic convention. Before that he was most often seen shaking hands or behind a podium (although the media voice-over drowned out what he was saying). On television Bush was usually walking to or from a helicopter. Then on came experts and interpreters to fill the screentime.
In the absence of the heavyweight protagonists, the struggle for hearts, minds and votes is being fought through advertising campaigns, most of which are laughably transparent in their appeal but negative in character.
Their shallowness and simplistic nature is so easy to measure it was inevitable someone would. So USA Today did, analysing the tone and content of these soundbites.
The breakdown showed the Bush campaign led in negative advertisements and had spent two-thirds of its budget on them. Nearly half the statements were attacks on Kerry, compared with 19 per cent of Kerry's being attacks on Bush.
But Kerry is getting help from factions such as The Media Fund, MoveOn.org Voter Fund and others, which are spending around US$30 million ($48 million) on anti-Bush ads.
Which means dollar-for-dollar - the Bush re-election campaign having spent US$70.5 million ($112 million) and the Kerry campaign US$44.5 million ($71 million), so far - both sides are shelling out about the same to do the other guy down.
This negative campaigning - fear mongering, in fact - coupled with an atmosphere of discomfort means uncertainty is pervasive.
Ironically, the network that would best serve this administration, the jingoistic Fox channel, which has reduced global politics to an "Us" - or more correctly "US" - and "Them" divide, is unwittingly feeding this sense of a beleaguered nation under siege.
For a brief period Bush had the advantage of some set piece speeches - at the D-Day commemorations and Ronald Reagan's funeral - which afforded him the opportunity to appear statesmanlike. They were godsends for a president sinking rapidly in the polls and allowed him - courtesy of some astute speech writing - to recall heroes of the past, link his presidency with lofty notions such as saving the free world, and recall a Republican heyday.
But even oldtime Republicans noted the Reagan funeral had been turned into an overwrought and over-long circus of cheap sentiment masquerading as patriotism and emotion. In the LA Weekly Steven Mikulan referred to the weeklong rites as "nothing less than a funeral festival, part Bayreuth, part P. T. Barnum".
Flags lowered to half-mast on Government buildings for a full month, at the President's orders, seemed excessively milking the occasion. Scepticism has morphed into cynicism, and it is everywhere.
Bookshops are stacked with titles such as American Dynasty: Aristocracy, Fortune and the Politics of Deceit in the House of Bush and A Culture of Conspiracy: Apocalyptic Visions in Contemporary America.
Doubts and fears are widespread. At a Miami bar one night after a lengthy political discussion I tried to make light of them.
"Anyway," I said, buying the next round, "just because you are paranoid, doesn't mean they aren't out to get you."

My companions didn't laugh. Not a lot of Americans do right now.

Concordo com esta frase no seu todo

«A descentralização faz-se transferindo competências, poderes, dinheiro e oportunidades; não transferindo secretários de Estado ou ministros» M.S.T. in Público 29-07-2004.
Resumindo e concluindo, esta pseudo-deslocalização (que nem chega a ser descentralização) só representa um aumento de custos (mais um) igual a tantos outros a que PSL já nos habituou, querendo-nos convencer que é o melhor para nós. Pergunto eu: será que PSL sabe mesmo o que é descentralização?, será que sabe o que é viver lonje de tudo e de todos os centros de decisão e, pior ainda saberá ele o que é ver todo o tipo de ajudas atribuido não só a Lisboa, mas também ao Porto e suas zonas metropolitanas?. Creio que o único ponto positivo nesta pseudo-acção demagógica é sabermos que quem nos governa afinal já sabe que Portugal não é só Lisboa, Porto, Cascais e a Quinta do Lago.

Orelhómetros Bluetooth

Lembro-me de quando era petiz e via o Espaço 1999, apesar de achar aquilo demasiado avançado para a realidade que vivia, (1999 estava a tão só cerca de 20 anos de distância) havia muitas coisas nessa série que me remetiam para a actualidade que eu conhecia e para o futuro que sonhava. Apesar de toda a tecnologia, o facto do homem ainda não ter abandonado o sistema solar, de criar uma base na lua e, a utilização de máquinas de escrever (sim, utilizavam máquinas de escrever na série) parecia-me perfeitamente possível. No entanto, o mundo de hoje parece-me bastante o mesmo, apesar de termos tecnologias que mesmo nessa série, e para aquela altura, seriam impensáveis e consideradas futurologia improvável ou impensável.

Uma das tecnologias que me faz mais confusão, não pela sua complexidade na transmissão de dados sem fio, mas pelo uso principal que lhe é dado é o Bluetooth. Sempre que vou na rua ou num centro comercial e vejo um tipo com o aparelhómetro na orelha a falar sozinho, perco-me e imagino o Robocop ou outro ser ciborguiano tipo exterminador implacável parte 2, e tento evitar ficar de frente para ele, não vá o tipo sacar da sua AK 47 e fazer de mim um passador.

Surf the net while surfing waves

surfar na net e no mar.jpg

Sun, sea, sand, and now the 4th «S» - Spam?
Ora aqui está uma forma de unir duas das coisas que me dão prazer e que até agora só em termos de fonética é que eram os mesmos. Agora passaram a juntar-se...mesmo. Antes dizia-se Surfar nas ondas ou surfar na net, agora pode-se dizer «Surfemos a net nas ondas do mar». Com esta tábua podemos juntar o útil ao agradável, sobretudo quando o mar está flat.
Mas para melhores explicações, vejam o link
http://news.bbc.co.uk/1/hi/technology/3812357.stm

Quarta-feira, 4 de Agosto de 2004

Produtivos e não só

Creio que esta é o adjectivo que melhor se adapta aos bloguistas do Barnabé, dada a quantidade de posts que conseguem editar num dia, e com uma qualidade de escrita acima do normar. É caso para dizer que neste blog, quantidade também pode ser qualidade.
Porém gostava também de dizer que considero-os os verdadeiros defensores da causa bloguista desinteressada e cooperativa. Em menos de uma hora coloquei um comentário no Barnabé pedindo ajuda para resolver um problema técnico (não do computador, mas devido à minha azelhice com esta coisa da Net) e recebi uma resposta de ajuda do Celsomartins. Isto é obra, e este é o meu agradecimento blogosférico público.
Obrigado Barnabé.
Vão lá vê-los
http://barnabe.weblog.com.pt/

Ciência V

«Einstein ainda não conseguia falar aos nove anos. Os seus pais pensavam que ele era deficiente.»... E no entanto revelou-se um génio.
Santana Lopes e Paulo Portas começam sempre a falar cedo demais... E no entanto revelaram-se uns verdadeiros _______________________________________________ (Completem vocês que eu agora não posso).

Agora Escolha

Lembro-me bem,da Vera Roquette a apresentar este programa nas tardes em que muito mais havia para fazer. Caso estivéssemos interessados numa série em especial, das duas a concurso, telefonávamos para a nossa preferida, vendo no ecrã o número de chamadas de cada uma. Se a nossa estivesse a perder podiamos tentar ligar mais vezes para ver se a colocávamos na frente, uma vez que o preço das chamadas de valor acrescentado ainda não tinha sido inventado. Enquanto esperavamos iamos vendo o Tom Sawyer, as Misteriosas Cidades de Ouro, etc.
Aahhhh, eram tão bons esses tempos, e seria tão bom se fosse assim tão fácil mudar de governantes. A gente ligava para o nosso favorito as vezes necessárias para o eleger ou para o mandar embora. Seria tão bom...

Ciência IV

Sesquipedalofobia - medo das palavras compridas.
Alodoxafobia - medo das opiniões
Automatonofobia - medo dos bonecos dos ventríloquos, estátuas de cera, criaturas animadas - tudo o que represente um ser vivo.
Acho que com a fobia que tenho deste governo, sofro desta última, mas também de uma Santanoazelhofobia, o medo das azelhices do Santana Lopes

Globalização Nim!

Não sou contra a globalização, não vale a pena. Não posso exigir a uma Coca-Cola, uma VW, uma Microsoft ou uma UPS que saiam de Portugal. Não tenho esse direito, nem acho que seja bom para Portugal, desde que essas empresas respeitem as leis do mercado. A Gloalização não tem de ser um mal necessário, até pode ser um bem desde que o governo cumpra a sua função de regulador e aja em conformidade com a legislação e com o interesse do país (não digo interesse nacional, porque esse bushismo ficava-mal e tem conotação que eu não quero dar).
O facto de não podermos neste momento voltar para trás e «desglobalizar» o Mundo não quer dizer que não a possamos tornar humana, porque para mim é diso que se trata: não vale a pena tentar combater a globalização, o que vale a pena é tentar humanizá-la.

Ciência III

«Os cientistas calcularam que a velocidade de um pensamento é de 240 km/h. Por isso por vezes achamos que falamos sem pensar»
Acho que nesta frase existam algumas imprecisões, sobretudo no caso do nosso Primeiro Ministro (até me arrepio a a profissão do tipo). Creio que com ele o pensamento é mais lento, dada a velocidade a que as alarvidades lhe saem da boca.

Povo, Política e futebol

Ora aqui está uma mistura explosiva.
Não conheço clube onde esta mistura seja mais evidente do que o Benfica (mais do que o Porto, porque lá o PSD pode mandar os bitates que quiser ou mesmo o PS que quem manda lá é o Pinto da Costa). O Benfica já me desiludiu várias vezes, por perder jogos, por permitir a existência de primadonnas como o João Pinto no seu tempo e mais actualmente o Simão, mas sobretudo por deixar a classe política apropriar-se do seu nome ou o inverso, tentar fazer-se colar a um partido. Devo dizer que no dia em que o Vilarinho disse que o Benfica estava com Durão Barroso e com o PSD, queimei o meu cartão de sócio, que ultimamente de pouco me servia. São este tipo de coisas que faz com que se gastem milhões com um estádio e depois ele esteja sempre vazio. Hoje em dia posso dizer que olho para o futebol como para um partido político, não sou pelo clube/partido, sou pelas pessoas que lá estão, e como quem lá está, neste momento não me interessa, não sou por ninguém.
Viva o Belenenses!


Ciência II

«O músculo mais potente do corpo humano é a língua.»
O problema é que muitas vezes esse músculo fica dormente ou não se consegue controlar e só se consegue proferir vacuidades como é o caso de PSL, que de facto tem muita força na língua, mas falta-lhe no resto.

Pessoas e Desenvolvimento

Apesar do que possa dizer alguma direita e alguns empresários mais parolos (mas que representam a maioria do empresariado português de vão de escada), pessoas e desenvolvimento económico são conceitos que podem ir à bola juntos, a economia não se desenvolve sem pessoas, e as pessoas vivem numa envolvente económica que lhes proporciona subsistência a todos os níveis e sem a qual viveriam mais dificilmente.

Infelizmente, em Portugal estes dois conceitos parecem estar cada vez mais dissociados. Veja-se o recente caso da passagem do Trabalho para a tutela do Ministério da Economia. Aquilo que se pretende é controlar a subida dos salários, o absentismo, a «produtividade», subjugando o trabalhador a uma orientação económica retrógrada. Não se pense com isto que sou um sindicalista inverterado ou que ache que o trabalhador português seja um coitadinho, não.
Aquilo que acho é que o nosso empresariado se concentra demasiado nestes factores que enumerei e que são redutores, para eles próprios. Enquanto não houver uma política verdadeira de formação e de qualificação aliada a verdadeiras políticas de gestão e não de repressão e controlo obssessivo, a produtividade que tanto anseiam será um mito.

O desenvolvimento de um país é fruto dos recursos humanos que possui, e não é com baixos salários e com baixa escolaridade que se consegue esse desenvolvimento. Está provado que o aumento de escolaridade e de salários de um povo aumenta o seu bem estar, a produtividade, o consumo e a pujança económica.

Infelizmente em Portugal as nossas elites políticas e económico-empresariais continuam a achar que os trabalhadores são um mal necessário, que se não tiverem olho neles imediatamente deixam de fazer o que devem, que ganham muito (sic), e que um bom investimento para a empresa é o último modelo da Ferrari. Enquanto esta mentalidade imperar e for a dominante, e a que contagia as mais altas instâncias, este país não conseguirá o tão almejado Desenvolvimento.

Tal como considero que para quem quer ser professor não basta uma licenciatura, fazem falta umas aulas de pedagogia, também acho que à nossa classe político-empresarial fazem falta umas aulas de gestão e de humildade, para pensarem no que realmente deverá ser este país e realmente trabalharem nesse sentido. Porém este desejo parece fadado ao fracasso, em Portugal prefere-se um povo ignorante, porque se pensa que pode ser mais facilmente controlado, porém esquecem-se que um povo mais instruido e mais rico, consome muito mais, tornando-os mais ricos.

Ciência I

«O 'quack' de um pato não produz eco, e não se consegue explicar este fenómeno acústico.»
Isto faz-me lembrar o que penso deste governo, por mais quacks que grasnem, é como se eu não os ouvisse.

Terça-feira, 3 de Agosto de 2004

Novo Governo e Empresários

Sampaio, durante as suas consultas deveria ter sido um pouco mais perspicaz. Hoje em dia não seria de esperar outra resposta por parte dos grandes grupos económicos, que a de manutenção do governo, conduzindo PSL como PM.
Existem duas grandes ordens de razões para este pensamento, a primeira é a de que é sabido que se há pessoa que cede a tudo o que é lobby e que funciona colocando o amigo do amigo na cadeira que lhe interessa (veja-se Nobre Guedes, Bagão Felix, Teresa Caeiro com Piet Hein, etc.), podendo desta forma gerir cada grupo o seu próprio ministério a seu bel-prazer (excepto a SONAE que como detém o Público não pica nada).
A segunda razão é a de que hoje em dia, as empresas são geridas no curto prazo. Os gestores têm de gerar mais valias em seis meses porque grande parte do seu vencimento, depende do resultado das acções das próprias empresas e, com um governo de gestão até Setembro e eleições algum tempo depois, esses resultados poderiam ver-se reduzidos ou adiados.

Infelizmente é esta a realidade que temos de engolir, porém será que há verdadeira alternativa?
Claro que sim, só que infelizmente não está disponível para ver o seu nome na lama por culpa de uma maioria que emporcalha o sistema.
Já repararam que os bons, quer da direita, quer da esquerda cada vez mais se afastam do país?
Será cobardia? Ou bom Senso?, sinceramente não sei......

Sampaio e o novo governo!

Peço desculpa, mas eu tinha mesmo de escrever este post.
Apesar de não concordar com a decisão que o presidente tomou, essa decisão era uma das possíveis, e Jorge Sampaio estava no seu direito constitucional quando a tomou, tal como estaria se tivesse optado por outra decisão.
A minha crítica surge não pelo direito que tinha de fazer qualquer escolha, mas pelo pressuposto de que aceitou a constituição de um governo no qual tenho sérias dúvidas em que ele mesmo acredite.
Não sei que tipo de concessões ou promessas PSL terá feito ao anda presidente, mas por mais sérias e com pose de estadista que fossem, qualquer pessoa, mesmo do PSD, colocaria sérias reservas à constituição de um governo por esta pessoa.
Para além disso, todo o tempo que demorou esta decisão, com as várias consultas a toda a gente (menos aos eleitores, que esses só maçam) ainda tornou mais grave a decisão, depois de todos os atropelos e pressões da esquerda à direita (mas aqui permitam-me referir o nojo que tive quando vi o PP ler um doucumento do próprio Sampaio sobre as razões para dissolver a Assembleia da República, lendo só o que lhe interessava, bem ao estilo da saudosa DGS).
Neste momento, só posso acrescentar que concordo inteiramente com o Miguel Sousa Tavares quando este refere que depois dessa tão calamitosa decisão Sampaio passou a ser a nossa «Rainha de Inglaterra» mas talvez com ainda menos influência, porque cada vez que aparecer, as pessoas terão menos paciência para lhe abanar bandeirinhas.

O Cú e as Calças (2)

Continuando o raciocínio do post anterior, o que me irrita igualmente é que seja também a esquerda a estar a tentar colar a imagem dos dois (PSL e JS).
Acho que a esquerda portuguesa ainda não percebeu bem o que necessita. Parecem demasiado agarrados à oposição, não querendo liderar um país que necessita de facto de uma nova política mais centrada nos cidadãos e no desenvolvimento.
No entanto, se é este o seu pensamento e se não o mudarem, talvez seja mesmo melhor continuarem na oposição e nunca chegarem ao governo, uma vez que se lá chegassem veriam o tapete fugir-lhes dos pés, pois poderiam dar-se mal com o súbito domínio do poder, não o podendo criticar pois estariam a criticar-se a si mesmos.

A minha opinião é a de que é urgente o próprio PS modificar-se, e pode ser que com Sócrates o consiga. Poderá a direita criticar este meu raciocínio, uma vez que não dou hipótese nenhuma a PSL e estou a dá-la a Sócrates, mas qualquer argumento destes será rebatível com um argumento, os factos. Sócrates, apesar de o apelidarem de elo do guterrismo, soube na altura certa tomar decisões (Souselas é um caso, o Raso e o Abano outros) tendo sido depois desautorizado pelo próprio Guterres, mais interessado na política bacoca do beatismo e do politicamente correcto. Quanto a PSL, ainda não lhe vi nenhuma ideia concreta para além do Eurocepticismo, nem gestão correcta de nenhum assunto (nas Câmaras da Figueira e de Lisboa é o que se vê, na Secretaria de Estado da Cultura foi o que foi , no Sporting também e no próprio PSD nem se fala), por isso acho que o facto de ser um cidadão que se preocupa com o seu próprio país e que está farto de aguentar tanta estupidez, me permite dizer que a PSL não lhe dou hipótese nenhuma, porque não me merece o mínimo respeito como governante. Acho que o seu lugar é definitivamente na televisão como comentador para entreter o povão.

O que é que o cú tem a ver com as calças?

Confesso que me começa a irritar profundamente esta nova frente começada por alguns meios de comunicação e alguns blogues também em associar PSL e José Sócrates.
Será porque ambos gostam de mulheres, será porque Sócrates é divorciado?, será por ambos terem participado nos debates da RTP?, sinceramente não entendo, e acho que quem quer que seja que esteja a tentar associar as ideias dos dois por estes factos, o faz apenas por picardia.
Pelo que vi e ouvi, os debates da RTP dexavam bem claro quem tinha ideias e quem representava um verdadeiro vácuo em termos de concretização de ideias. Caso não tenham reparado durante o tempo em que estes debates decorreram, as perguntas eram sempre colocadas em primeiro lugar a Sócrates, e só depois é que se passava a palavra ao Pedrinho, isto porque qualquer realizador de programas sabe que se fizesse em primeiro lugar a pergunta a PSL, ele como não prepara nada nem sabe a fundo coisa nenhuma, daria uma resposta imprvisada, retórica e prolongada para parecer bem falante (que é disso que se trata, PSL gosta de impressionar o povão que diz: Ah, que bem que fala o Sô Tôr).
Esta é apenas mais uma razão pela qual achopouco inteligente, mas criminoso tentar ligar as duas figuras quando as ideias concretas de uma, por poucas que sejam conseguem facilmente ofuscar as nenhumas de um verdadeiro vácuo político.

Ainda não acredto

Ainda não acredito que o PSL é quem deverá por estas alturas estar a governar os nossos destinos. Pelo menos, segundo quase todos os meios de comunicação já se chama ao senhor Primeiro-Ministro de Portugal Pedro Santana Lopes, porém a minha cabeça ainda não se conseguiu habituar à associação dos dois conceitos juntos, isto porque PSL e PM não coincidem.
Mesmo com a nova pose de estadista que o Pedrinho se impõe a si mesmo não me consegue convencer. Acho que só me lembrarei da sua passagem por S.Bento quando de lá sair, nas próximas eleições daqui a dois anos.

Bom, vamos lá a isto...

Tinha de ser,
Não podia deixar de ser, depois de tantos blogs lidos, de tantas afinidades e discordâncias, tinha de criar um blogue meu. Depois de muito pensar sobre qual seria o tema do mesmo, optei pela culinária temática, ou seja, vou misturar um pouco de cada ingrediente e ver o que dá no final.
Como não poderá deixar de ser, de início a política será a tónica dominante, dada a very very silly season que começou, com este governo de revista à portuguesa, mas pouco a pouco, outros temas entrarão neste blogário.


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