Quarta-feira, 13 de Julho de 2005

Lusoanálise em Chamas...

Para começar logo a matar começo por dizer as coisas de uma forma simples e directa:
A verdade é que somos uma cambada de medíocres para quem nada nem ninguém tem importância, embora na maior parte das vezes o tentemos ocultar para parecermos entendidos sobre alguma matéria.
Temos esse péssimo costume de atar tudo com cordéis, de praticar com excepcional habilidade a lei do menor esforço, nem que seja só para ganharmos um tempito extra de desconto para o nosso santo e eterno recreio, e podermos assim coçar a três mãos o que podíamos facilmente coçar com duas e que é isso mesmo que imaginam. E, como se não bastasse, até ficamos orgulhosos ante o Mundo da vivacidade que sermos assim pode chegar a supor.
Porém, às vezes nem os cordéis resistem à precariedade com que foram dispostos e atados, e o que se antevê é o desmoronamento da nossa estúpida forma de ser, que não é mais do que a consequência de uma miséria que sempre esteve presente, mas que no entretanto fomos dissimulando muito bem.
Ninguém se preocupa em melhorar nada enquanto as coisas forem funcionando mais ou menos bem, tendo inclusivamente a certeza de que cedo ou tarde tudo estará inevitavelmente condenado ao fracasso.
Há cerca de umas quatro semanas, os cordéis voltaram a dar de si, e mais uma vez temos o país a arder, neste que é um drama anual, e para o qual continuamos a não querer encontrar soluções. Duas vidas de bombeiros já se perderam, outros tantos ficaram feridos, famílias perderam tudo o que tinham amealhado numa vida, mas ninguém faz nada para remediar a situação, mesmo quando já sabíamos que este era um ano de risco devido à pouca/nenhuma precipitação.
Não é preciso ser-se muito iluminado para se discorrer que bastavam apenas duas coisas para que esta situação se alterasse: Legislação e Fiscalização. Legislação que obrigasse a limpeza das matas, que proibisse qualquer comercialização de madeira queimada, ou construção em terrenos ardidos. E fiscalização, que auditasse as madeireiras, as imobiliárias e construtores com interesses nas zonas ardidas, mas também que verificasse da verdadeira limpeza por parte dos privados dos terrenos florestais.
Agora, depois do fogo, este povo clama por Justiça. E a Justiça, infelizmente em Portugal, é algo tão abstracto e decorativo que até poderia servir para que a pendurássemos na parede para adornar a sala de jantar.
Porém, se analisarmos bem, verificamos que a mediocridade não se manifesta só nos representantes que temos, no povo que somos, enfim nos «outros». A mediocridade manifesta-se também em cada um de nós, a partir do momento em que renunciamos a algo que já nem reconhecemos de tão acostumados que estamos a ver a nossa insignificância cívica, talvez como reflexo dos fantasmas que a ditadura deixou em nós.
E enquanto o país arde: Festa, Algarve e TVI. Até que um dia, finalmente a merda cubra este lindo salão de baile que é Portugal no qual fingimos tão deliciados que tudo vai bem porque foi sempre assim.

2 comentários:
De dizeresmeus a 13 de Julho de 2005 às 17:31
a TVI era só uma acha para a fogueira, pois se o Moniz até diz que a TVI é melhor do que o povo português merece....


De Solvstg a 13 de Julho de 2005 às 17:08
Da mediocridade da TVI excepciona-se, claro, Miguel Sousa Tavares.


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