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DIZERES MEUS

DIZERES MEUS

29
Ago05

Era uma vez um texto...

dizeresmeus
Era uma vez um texto que renegava a sua condição de texto porque tinha medo da morte. No entanto, quando veio a saber que uns seus parentes afastados (certos quadros, esculturas, filmes e fotografias do lado materno) tinham conseguido alcançar a imortalidade, ficou-lhes com inveja.
Desde o seu nascimento (quando alguém escrevera certa vez «Era uma vez um Texto..»), que nunca mais deixou de pensar, aterrorizado, no último momento da sua existência, e para afastá-lo, tentou arranjar um significado para si mesmo. Mas para isso era necessário ser-se lido por alguém, tornar-se necessitado por alguém.
Porém, este texto era fraco, não possuía força suficiente para conter significado. Por isso, abandonou-se ao correr das letras e caíu na aceitação do final, consciente de que deste modo tudo terminaria e tudo se tornaria irreversível.
E é aqui, perto deste parágrafo, que lamento ter de anunciar que com apenas 15 frases de vida o texto foi acometido por uma grave síncope linguística de ponto final, e faleceu. Fontes oficiais informam-nos que se tratou de uma morte dupla: Morreu o Texto e o seu Sentido.
Ninguém se lembrava de o ter lido.

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